Vivemos *com* e não *apesar* de nossas deficiências por Rayane Brasil

by - janeiro 10, 2020


(Texto en español a continuación)


"Ele ou ela vive uma vida plena apesar da sua deficiência", " a sua deficiência não a define", "apesar da sua deficiência, ele ou ela...", E por aí vamos. Todas essas frases são de um capacitismo enraizado que dói nos ossos. E ela tá presente quase sempre que uma pcd é referenciada. Quase sempre quando pessoas com deficiência são referenciadas em meios diversos como reportagens, na televisão, em filmes ou nos diálogos corriqueiros, a deficiência sempre vem em primeiro lugar se sobrepondo sobre a pessoa que a possui. Tudo que fazemos, não fazemos apesar dessa nossa característica. Fazemos com ela, fazemos respeitando suas particularidades, respeitando o nosso corpo. 

Eu particularmente, discordo da frase que diz que minha deficiência não me define ou não me limita. Ela me limita sim, no mínimo de andar. Ou de todos os meus órgãos funcionarem como deveriam. São limitações que me impedem de seguir a vida? Não. Quem não anda, roda. Quem não ouve e quem não fala se comunica através de libras. Simples assim. Nós sempre arrumamos um jeito diferente de fazer o que precisamos fazer. 

Além do mais, não vejo mal algum em admitir que meus gostos, meus interesses, são influenciados também pela minha deficiência. Eu não seria quem eu sou caso eu andasse em duas pernas, todas as experiências que vivi serviram para a formação da minha personalidade, dos lugares que gosto de ir, das pessoas com as quais me sinto bem, etc. A deficiência não é apenas uma condição médica, um diagnóstico, ela é uma experiência social. Experimentar o mundo através de um corpo com deficiência é uma vivência única que é tantas vezes desvalorizada. Infelizmente nosso lugar de fala é constantemente tomado por terceiro que se dizem especialistas. Nossa voz precisa ser ouvida, nem que para isso tenhamos que gritar cada vez mais alto.



Rayane Brasil



(Traducción al español)

Vivimos *con* y no *a pesar* de nuestras discapacidades por Rayane Brasil



“Él o ella vive una vida plena a pesar de su discapacidad”, “su discapacidad no la define”, “a pesar de su discapacidad, él o ella…”, y así seguimos. Todas estas frases son de un capacitismo arraigado que duele en los huesos. Y está presente siempre que una PCD es nombrada. Casi siempre cuando las personas con discapacidad son nombradas en medios diversos como reportajes, en la televisión, en películas o en nuestros diálogos habituales, siempre se sobrepone la discapacidad a la persona que la posee. Todo lo que hacemos no lo hacemos a pesar de esa característica nuestra. Hacemos con ella, hacemos respetando sus particularidades, respetando nuestro cuerpo.

Yo particularmente, discrepo de la frase que dice que mi discapacidad no me define o no me limita. Me limita, sí, como mínimo en el andar. O de que todos mis órganos funcionen como deberían. Son limitaciones que me impiden seguir con mi vida? No. Quien no anda, rueda. Así de simple. Siempre encontramos una forma distinta de hacer lo que necesitamos hacer.


Es más, no veo ningún mal en admitir que mis gustos, mis intereses, son influenciados también por mi discapacidad. Yo no sería quien soy si anduviera en dos piernas, todas las experiencias que viví sirvieron para la formación de mi personalidad, de los lugares a los que me gusta ir, de las personas con las cuales me siento bien, etc. La discapacidad no es solo una condición médica, un diagnóstico, es una experiencia social. Experimentar el mundo a través de un cuerpo con discapacidad es una vivencia única que tantas veces es desvalorizada. Infelizmente nuestro punto de vista es constantemente tapado por terceros que se dicen especialistas. Nuestra voz debe ser escuchada, aunque para eso debamos gritar cada vez más alto.

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