A força da recordação Por Violeta Alvez

by - dezembro 06, 2019



(Texto en español a continuación)

A memória mais antiga que tenho, é de contar para um menino, na primeira série, que eu gostava dele, e ele disse que não podia ficar perto de mim, porque eu andava de cadeira de rodas.
É um pouco bizarro pensar que uma criança de 7/8 anos, já saiba o que é preconceito. Eu sentia o preconceito nessa idade e outras crianças, da mesma idade, exerciam o preconceito, mesmo sem saber.
Como uma célula, parece que todo mundo nasce com ela, alguns decidem se livrar dela, outros lutam pra se aceitar, alguns acham que "é bobagem e mimimi".

Apesar de lembrar perfeitamente de como me sentia naquela manhã, em que aquela criança me disse aquilo, apesar de lembrar de como eu me senti e como eu só quis chorar (mas não o fiz), eu não lembro quando eu decidi lutar por tudo isso, quando eu soube dentro de mim que era a hora de remar contra toda a maré.

A mulher com deficiência não é vista.
Não é entendida.
Não é ouvida.
Ela não é. Porque a sociedade não dá espaço, não dá brecha.
Já temos nossas (poucas) leis, conquistadas a duras pedras, e como boas pessoas, temos que aceitar de cabeça baixa as migalhas que nos dão.

Pois eu digo que não.

Eu não lembro quando, eu só lembro de ter sede de lutar, eu só lembro de debater sobre, dentro da minha família, com meu círculo de amigos, numa mesa de bar.
Eu não lembro de quando, só lembro de falar sobre segregação, invisibilidade.
Eu não lembro quando, mas lembro de bater de frente, com estranhos na rua, com pessoas no ambiente de trabalho, de aumentar a voz dizendo que não aceitaria ser rebaixada por ser quem eu sou.

Eu não lembro, e talvez um dia, você também não lembre de quando, mas eu quero te ajudar a lembrar do sentimento, da vontade de querer mais e saber que você merece mais.

Talvez pra você não lembrar, só te falte um empurrão, e eu espero que ele aconteça logo logo, e que sejamos milhares não lembrando, mas sentindo a força.


La fuerza del recuerdo

El primer recuerdo que tengo es cuando le dije a un chico de primer grado que me gustaba, y dijo que no podía estar cerca de mí porque estaba en silla de ruedas.
Es un poco extraño pensar que un niño de 7/8 años ya sabe lo que es el prejuicio. Sentí prejuicio a esta edad y otros niños de la misma edad ejercieron prejuicios incluso sin saberlo.
Como célula, parece que todos nacen con ella, algunos deciden deshacerse de ella, otros luchan por aceptarla, algunos piensan que "es tonto y mimimi".

Aunque recuerdo perfectamente cómo me sentí esa mañana, cuando ese niño me dijo eso, aunque recuerdo cómo me sentía y cómo quería llorar (pero no lo hice), no recuerdo cuándo decidí luchar por todo. cuando supe dentro de mí que era hora de remar contra toda la marea.

La mujer discapacitada no se ve.
No se entiende
No se escucha
Ella no es. Porque la sociedad no da espacio, no hay brecha.
Ya tenemos nuestras (pocas) leyes, ganadas por piedras duras, y como buenas personas, tenemos que aceptar las migajas que nos dan boca abajo.


Pues yo digo que no.


No recuerdo cuándo, solo recuerdo tener sed de pelea, solo recuerdo debatir, dentro de mi familia, con mi círculo de amigos, en una mesa de bar.
No recuerdo cuándo, solo recuerdo hablar de segregación, invisibilidad.
No recuerdo cuándo, pero recuerdo tropezar con extraños, extraños en la calle, personas en el lugar de trabajo, alzando la voz y diciendo que no aceptaría ser degradado por ser quien soy.

No recuerdo, y tal vez algún día no recordarás cuándo, pero quiero ayudarte a recordar el sentimiento, el deseo de querer más y saber que mereces más.

Tal vez para que no lo recuerdes, solo necesitas un empujón, y espero que suceda pronto, y que somos miles no recordando, sino sintiendo la fuerza.



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