Os padrões da moda é a gente quem faz Por Juliana Rocha

by - novembro 15, 2019


(Texto en español a continuación)


Nascer com alguma deficiência, pode causar estranheza para as pessoas, afinal, ninguém nos espera! Não é um questionamento comum de uma gravida como o: “será que vai ser menino ou menina?”. Mãe nenhuma se questiona: “será que virá com uma deficiência ou não?”. Mas nós nascemos. E temos vidas comuns como qualquer pessoa. Ao nosso olhar é claro!
Lidar com as questões da vida, já é um grande desafio para as pessoas e é ainda mais complicado, quando se tem o mundo todo conspirando contra você, ao mesmo tempo em que você ainda está se descobrindo como pessoa.
Tendo alguma deficiência ou não, nós não viemos com manual de instruções, onde tenha um passo a passo, ensinando como iremos nos descobrir. Como iremos conhecer a nós mesmos e amar tudo que habita em nós.
Tudo é aprendido com as experiências que a vida nos proporciona. Desenvolvemos nossas personalidades, nossos gostos, nossas crenças e nossas ideologias. Assim, nós criamos o nosso ”eu”, ao nosso jeito, não é algo que vem padronizado de fabrica. E se cada individuo vai ter sua própria personalidade, seu próprio “eu”, como alguém se atreve a impor a ele uma forma ideal de ser? Mas “eles” nos impõem!
Crescemos e vivemos em uma sociedade com pessoas de mentes padronizadas, dentro de um conservadorismo inalcançável, onde padrões são “necessários”, para dizer em qual grupo você se enquadra e as regras as quais deve seguir. Deus me livre, você não se encaixar em nenhum desses padrões, não poderá seguir sua vida, deverá lutar diariamente para se adequar em um grupo, seja ele qual for!
Eu cresci assim, sempre me sentindo a “doente” do rolê! Cidade interiorana, família humilde, sem recursos e sem conhecimento. Meus pais não sabiam a normalidade de ter uma deficiência, eles foram criados assim, e assim me passaram essa ideia, mesmo que minha mãe tenha lutado a vida toda, para me fazer sentir o mais “normal” possível, diante do mundo, ela não era capaz de lutar contra todas as pessoas, e acreditem, enfrentar as pessoas, apenas aumenta a convicção de que o problema nunca esteve em você!
Passei a vida tentando me enquadrar em algo, alguns grupos de criança, grupo de melhores amigas, grupos no colégio, eu tentei todos! Mas nunca me senti fazendo parte real de algo, mais uma vez, era a “doente” do rolê!
Busquei me enquadrar em algum padrão, já que minha deficiência gritava de longe, antes que eu chegasse a qualquer lugar! Tentei ser a magra, vai que eu me padronizasse assim. Tentei ser a melhor vestida. A mais bem maquiada. A “loirassa”, que chama atenção por onde passa. Todas essas coisas bem clichês de adolescentes, mas nada funcionou, pois no final eu era sempre a garota na cadeira de rodas! E estar em uma cadeira de rodas, não chamava a atenção para mim como mulher, apenas como “a deficiente”. Numa fase de descobertas como é a adolescência, isso só te enche de inúmeras inseguranças, que podem durar por uma vida toda.
Porém, tudo isso que nos fazem acreditar, que nos ensinam, pode ser desconstruído e reconstruído, de uma melhor forma! Eu precisei me conhecer, para me fazer ser reconhecida!
Meu primeiro passo para essa mudança, foi me aceitar e me amar, exatamente como sou! Segundo, foi ter a convicção que o único padrão que devemos seguir, é o da autenticidade! Ser você mesmo e gostar disso, te leva a altos níveis de amor próprio e pode acabar com todas as inseguranças, que você acreditava ter! Terceiro é ser capaz de entregar ao mundo a melhor versão de você mesmo, sem medo do julgamentos e da não aceitação.
Mas, tudo isso não acontece do dia para a noite, e eu quero ajudar as pessoas, a assim como eu, chegar nesse nível de desconstrução e aceitação.
Quando me livrei do peso que a vaidade tinha na minha vida, já que eu a cultivava buscando me aceitar, descobri que ela tinha se tornado uma paixão! Todo esse mundo da moda e beleza, agora fazia parte da minha vida como algo que dava prazer e não frustração!
Inicialmente meu projeto tinha como objetivo, quebrar todos os padrões, que estavam firmemente enraizados nesse mundo da moda, queria mostrar que existem belezas de todas as formas, principalmente, em pessoas de bem consigo mesmas! Com o tempo, percebi que o pouco que eu tinha aprendido, poderia ajudar muitas outras pessoas, a desenvolverem aceitação e amor próprio! E quando digo isso, não falo apenas de pessoas com deficiência, falo de todos os tipos de pessoas!
Quando conheci o projeto da Galeria PCD, me apaixonei de cara! Precisávamos de um lugar de fala, para levar representatividade pro mundo! Pessoas maravilhosas fazem parte desse projeto e eu fiquei imensamente honrada, em poder contribuir com ele de alguma forma.
Vou abordar por aqui inúmeros assuntos, desde moda acessível, autoestima, aceitação, vaidade, estética, enfim, aguardo ansiosamente vocês no próximo post. E espero realmente que gostem do meu conteúdo!

Beijos da Juh!


Juliana Rocha 

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LA GENTE ES QUIEN HACE LOS PATRONES DE LA MODA!

Nacer con alguna discapacidad puede ser extraño para las personas, después de todo, nadie nos espera! No es una pregunta común de una embarazada como "será nene o nena?". Ninguna madre se pregunta "será que vendrá con alguna discapacidad o no?". Pero nosotros nacemos. Y tenemos vidas comunes como cualquier otra persona. Para nosotros es claro!

Lidiar con las cosas de la vida ya es un gran desafío para las personas y es aún más complicado cuando se tiene a todo el mundo conspirando contra vos, al mismo tiempo que todavía te estás descubriendo como persona.

Tengamos alguna discapacidad o no, nosotros no venimos con un manual de instrucciones, con un paso a paso, mostrando cómo nos vamos a descubrir. Cómo vamos a conocernos a nosotros mismos y amar todo lo que hay en nosotros.
Todo se aprende con las experiencias que nos proporciona la vida. Desarrollamos nuestras personalidades, nuestros gustos, nuestras creencias y nuestras ideologías. Así, creamos nuestro "yo" de la forma que tiene que ser, no es algo que ya venga hecho de fábrica. Y si cada individuo va a tener su propia personalidad, su propio "yo", cómo se puede atrever alguien a imponerle una forma ideal de ser? Pero "ellos" imponen!
Crecemos y vivimos en una sociedad con personas de mentes estandarizadas, dentro de un conservadurismo inalcanzable, donde los estándares son "necesarios" para decir a qué grupo pertenecés y las reglas a las que te tenés que adecuar. Dios me libre, si no entrás en ninguno de esos patrones, no vas a poder seguir tu vida, vas a tener que luchar diariamente para adecuarte a un grupo, sea el que sea!
Yo crecí así, sintiéndome siempre la "enferma" del grupo! Ciudad del interior, familia humilde, sin recursos y sin conocimiento. Mis padres no sabían lo normal que era tener una discapacidad, ellos fueron criados así, y así me pasaron esa idea. Por más que mi madre ha luchado toda la vida por hacerme sentir lo más "normal" posible, delante del mundo, ella no era capaz de luchar contra todas las personas, y piensen, enfrentar a las personas sólo aumenta la convicción de que el problema nunca estuvo en vos!
Me pasé la vida intentando pertenecer a algo, algunos grupos de la infancia, grupos de mejores amigas, grupos del colegio, intenté con todos! Pero nunca sentí que fuera realmente parte de algo, otra vez más, era la "enferma" del grupo!
Luché para encasillarme en algún estándar, ya que mi discapacidad se hacía notar, antes de que yo llegara a cualquier lugar! Intenté ser flaca, a ver si lograba estandarizarme. Intenté ser la mejor vestida. La mejor maquillada. La rubia que llama la atención por donde sea que pase. Todas esas cosas bien clichés de adolescentes, pero nada funcionó, porque al final yo siempre era la piba de la silla de ruedas! Y estar en una silla de ruedas no llamaba la atención hacia mí como mujer, sólo como "la discapacitada". En una fase de descubrimientos como es la adolescencia, sólo eso te llena de inseguridades incontables, que pueden durar toda la vida.
Sin embargo, todo lo que creemos puede ser deconstruido y reconstruido, de una forma mejor! Yo necesitaba conocerme, para hacer que me reconocieran!
Mi primer paso para ese cambio fue aceptarme y amarme, exactamente como soy! El segundo fue tener la convicción de que el único patrón que tenemos que seguir es el de la autenticidad! El tercero fue ser capaz de entregar al mundo la mejor versión de mí, sin medo de ser juzgada o no ser aceptada.
Pero, todo eso no sucede de la noche a la mañana y yo quiero ayudar a las personas a así como yo, llegar a ese nivel de deconstrucción y aceptación.
Cuando me liberé del peso que la vanidad tuvo en mi vida, ya que la cultivaba buscando aceptarme, descubrí que se había vuelto una pasión! Todo este mundo de la moda y la belleza, ahora era parte de mi vida como algo que daba placer y no frustración!
Inicialmente mi proyecto tenía como objetivo romper todos los patrones que estaban firmemente enraizados en este mundo de la moda, quería mostrar que existen bellezas de todos los tipos, principalmente en personas que estén bien con ellas mismas! Con el tiempo, percibí que lo poco que había aprendido podría ayudar a muchas otras personas a desarrollar aceptación y amor propio! Y cuando digo eso, no hablo sólo de personas con discapacidad, hablo de todos los tipos de personas!
Cuando conocí el proyecto de la Galería PCD me apasioné de una! Precisábamos un lugar para hablar, para llevar la representatividad al mundo! Hay personas maravillosas siendo parte de este proyecto y me quedé inmensamente honrada en poder contribuir con él de alguna forma.
Voy a abordar incontables asuntos acá con ustedes, desde moda accesible, autoestima, aceptación, vanidad, estética, en fin, los espero ansiosamente en el próximo post. Y espero realmente que les guste mi contenido por acá!

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