Querido Parapan, obrigada mais uma vez Por Ieska Tubaldini

by - setembro 03, 2019


(Texto en español a continuación)

De 23 de agosto a 1 de setembro, após o encerramento dos Jogos Pan-Americanos, a capital do Peru, Lima, sediou a sexta edição dos Jogos Parapan-Americanos. Com uma delegação recorde de 513 pessoas, sendo 337 atletas, o Brasil voltou para casa em 1º lugar no quadro de medalhas, tendo conquistado 124 ouros, 99 pratas e 85 bronzes. Ultrapassamos, de longe, potências do esporte como Estados Unidos e Canadá.

Antes de continuar, preciso compartilhar algo de 4 anos atrás:

"Vou contar uma coisa pra vocês: é impossível ser deficiente no Brasil.
Qualquer tipo de deficiência.
E não digo que é difícil, não.
É impossível mesmo.
No Brasil, acessibilidade é sinônimo de "quebra essa ponta da calçada aí e faz uma rampa".
Danem-se os deficientes visuais, os auditivos e, muitas vezes, até os motores, já que a maioria esmagadora das """adaptações""" feitas por aí são tão inacessíveis quanto uma escadaria de cinquenta degraus.
É sério!
Agora vocês imaginem o tamanho da força de vontade que uma pessoa precisa ter para treinar [aqui, faço justiça e não menciono a falta de incentivo, já que o suporte financeiro aos paratletas é até que bastante considerável, se formos comparar ao suporte dos atletas não deficientes - é o mesmo lixo pra todo mundo mesmo], competir e trazer medalhas a um país que não fornece o mínimo de estrutura básica para essa pessoa viver.
Viver! Não é nem competir, é viver!
Os paratletas brasileiros desbancaram Estados Unidos, Canadá e todas as outras potências esportivas, mostrando, mais uma vez, que tá na hora de mudar o "país do futebol" pra alguma coisa mais condizente.
Brasil, país do "só fiquei sabendo do Para Pan, porque caiu no Facebook. Na TV não vi nada".
Ou Brasil, país do "Para Pan não dá clique, não coloca na primeira página, não".
Ou Brasil, toma, país, você não me recebe muito bem, mas eu trouxe 257 medalhas pra você.
Brasil, país que te ensina a se bastar, porque ele não vai te dar muita ajuda, não.
Brasil, país do...
Enfim, vocês entenderam.

Parabéns, paratletas. Vocês foram sensacionais. Vocês são sensacionais.
Obrigada por esse primeiro lugar."

Eu escrevi isso ao fim dos Jogos Parapan-Americanos de Toronto 2015. Em 2015 eu ainda não sabia que a terminologia correta era "pessoa com deficiência" e chega a ser engraçado ver que eu não fiz qualquer menção sobre o impacto que essa competição teve em mim.

Jogos Parapan-Americanos de Lima 2019
Um dos meus grandes sonhos era cobrir um evento esportivo. Acompanhar de perto, procurar histórias, criar conteúdo. Esse ano, felizmente, a Galeria PCD me proporcionou o espaço que eu precisava para isso e não poderia ter sido um começo melhor: ganhei a chance de fazer barulho justo sobre uma competição que significa tanto para mim e que ainda é tão carente de espaço na mídia de modo geral.
Meu processo de construção de identidade enquanto PCD começou durante os Jogos Parapan-Americanos de Toronto. Foi meu primeiro contato com paradesportos. Depois, tivemos as Paralimpíadas do Rio 2016. Competição em casa, as emissoras brasileiras cobriram em peso e eu tive a oportunidade de conhecer mais modalidades e me admirar com cada um daqueles atletas. Além, é claro, de ficar profundamente incomodada com o fato de pouquíssimas pessoas enxergarem o potencial real de entretenimento que aqueles jogos tinham - sério, você já se deu a chance de assistir a um jogo de basquete em cadeira de rodas? Vai por mim!
Chegamos a Lima 2019 e esse incômodo permaneceu, mas a experiência foi totalmente outra em todos os outros aspectos. Junto com uma equipe linda, a Galeria PCD, em parceria com a Mídia Ninja, cobriu os jogos, contou histórias e vibrou muito com a disparada diária do Brasil no quadro de medalhas.
Dessa vez eu me tive o impulso que me faltava para estudar mais sobre as modalidades e as classificações de cada tipo de deficiência. Inclusive, descobri que o Comitê Paralímpico Brasileiro oferece um curso à distância gratuito sobre os Fundamentos Básicos do Esporte Paralímpico! Com carga horária de 40 horas, o curso é voltado a profissionais de educação física a fim de proporcionar maior inclusão nas escolas, mas qualquer pessoa pode ter acesso ao material e, inclusive, receber um certificado ao concluir os 4 módulos.
A cada edição de competições paradesportivas que eu acompanho, descubro algo novo e me dou conta do tamanho que esse movimento tem no nosso país sem que ninguém nem perceba. Uma delegação com mais de 500 pessoas trazendo mais de 300 medalhas não surge do nada!
Enquanto estudava e aprendia para produzir conteúdo para a nossa cobertura, o tempo todo eu pensava que se estivéssemos incentivando uma pessoa com deficiência a procurar um esporte ou, ao menos, permitíssemos que alguém se sentisse acolhido como eu me senti 4 anos atrás, todo o esforço já estava pago, muito bem pago. Até que no último sábado (31), penúltimo dia de jogos, recebemos essa mensagem no Instagram:


Quando batemos tanto na tecla da importância da representatividade, é sobre isso que estamos falando. Eu acredito que nada acolha e apoie tanto alguém quanto a sensação de se sentir pertencendo a um grupo ou a um espaço. Saber que nossa cobertura dos jogos proporcionou isso é bom demais.
Quatro anos atrás eu era uma mulher com deficiência sem ter muita (ou alguma, qualquer uma) ideia do que isso significava. E se hoje eu já me sinto portadora dessa identidade, os paradesportos certamente são alguns dos responsáveis por isso.
Assim: obrigada mais uma vez, Parapan. Que venha Tóquio 2020 com mais um monte de barulho para a gente fazer!

Equipe de cobertura #GaleriaNoParapan
Danielle Nunes - conteúdo
Ieska Tubaldini Labão - conteúdo
Leandra DuArt - organização e apoio
Leandro Maciel - descrição das imagens
Luccas - publicações
Natalia Hipólito - design
Paloma Barbosa - design
Rayane Brasil - revisão

Quadro final de medalhas Jogos Parapan-Americanos Lima 2019



Quer saber mais?
Confira esse vídeo produzido pelo Comitê Paralímpico Brasileiro para os Jogos do Rio 2016! Nele, temos uma aula de história do movimento paralímpico internacional.



Ieska Tubaldini

Galeria nas redes

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Estimado Parapan, gracias de nuevo.

Del 23 de agosto al 1 de septiembre, después del final de los Juegos Panamericanos, la capital de Perú, Lima, fue sede de la sexta edición de los Juegos Parapanamericanos. Con una delegación récord de 513 personas, 337 atletas, Brasil regresó a casa en primer lugar en la tabla de medallas, habiendo ganado 124 de oro, 99 de plata y 85 de bronce. Hemos superado con creces los poderes deportivos como Estados Unidos y Canadá.

Antes de continuar, necesito compartir algo de hace 4 años:
"Te diré algo: es imposible ser deficiente en Brasil.

Cualquier tipo de discapacidad.

Y no digo que sea difícil, no.

Es imposible de hecho.

En Brasil, la accesibilidad es sinónimo de "romper este extremo de la acera y hacer una rampa".

Malditos sean los discapacitados visuales, los oídos y, a menudo, incluso los motores, ya que la abrumadora mayoría de las "" "adaptaciones" "" son tan inaccesibles como una escalera de cincuenta escalones.

¡Es en serio!

Ahora imagina el tamaño de la fuerza de voluntad que una persona necesita para entrenar [aquí, hago justicia y no menciono la falta de incentivos, ya que el apoyo financiero a los paratletas es bastante considerable, si lo comparamos con el apoyo de los atletas no. discapacitados: es la misma basura para todos], compitan y traigan medallas a un país que no proporciona la estructura básica mínima para que esa persona viva.

Para vivir! ¡Ni siquiera está compitiendo, es vivir!

Los paratletas brasileños han vencido a los Estados Unidos, Canadá y todas las demás potencias deportivas, demostrando, una vez más, que es hora de cambiar el "país del fútbol" a algo más consistente.

Brasil, país de "Solo supe de Para Pan, porque cayó en Facebook. En la televisión no vi nada".

O Brasil, país de "Para Pan no hace clic, no se pone en la primera página, no".

O Brasil, tómalo, país, no me recibes muy bien, pero te traje 257 medallas.

Brasil, un país que te enseña a ser suficiente, porque no te dará mucha ayuda, no.

Brasil, país de ...

De todos modos, lo tienes.
Enhorabuena, deportistas. Ustedes fueron geniales. Eres increible
Gracias por este primer lugar ".
Escribí esto al final de los Juegos Parapanamericanos de Toronto 2015. En 2015 todavía no sabía que la terminología correcta estaba "desactivada" y es curioso ver que no mencioné el impacto que tuvo esta competencia en yo



Juegos Parapanamericanos de Lima 2019

Uno de mis grandes sueños era cubrir un evento deportivo. Siga de cerca, busque historias, cree contenido. Este año, afortunadamente, la Galería PCD me dio el espacio que necesitaba para esto y no podría haber sido un mejor comienzo: tuve la oportunidad de hacer un alboroto justo sobre una competencia que significa mucho para mí y aún me falta mucho espacio. medios de comunicación en general.

Mi proceso de construcción de identidad como PCD comenzó durante los Juegos Parapanamericanos en Toronto. Fue mi primer contacto con el deporte. Luego tuvimos los Juegos Paralímpicos de Río 2016. Competencia en casa, las emisoras brasileñas cubiertas de peso y tuve la oportunidad de conocer más modalidades y admirar a cada uno de esos atletas. Además, por supuesto, le preocupa profundamente que muy pocas personas vean el verdadero potencial de entretenimiento de esos juegos. En serio, ¿alguna vez ha tenido la oportunidad de ver un partido de baloncesto en silla de ruedas? Ve por mi!

Llegamos a Lima 2019 y esta molestia se mantuvo, pero la experiencia fue totalmente diferente en todos los demás aspectos. Junto con un hermoso equipo, PCD Gallery, en asociación con Mídia Ninja, cubrió los juegos, contó historias y vibró mucho con la fiebre diaria de Brasil en la tabla de medallas.

Esta vez tuve el impulso que necesitaba para estudiar más sobre las modalidades y clasificaciones de cada tipo de discapacidad. ¡Incluso descubrí que el Comité Paralímpico Brasileño ofrece un curso de aprendizaje a distancia gratuito sobre los fundamentos del deporte paralímpico! Con una carga de trabajo de 40 horas, el curso está dirigido a profesionales de educación física para proporcionar una mayor inclusión en las escuelas, pero cualquiera puede tener acceso al material e incluso recibir un certificado al completar los 4 módulos.

Con cada edición de competencias de parasports que sigo, descubro algo nuevo y me doy cuenta del tamaño que tiene este movimiento en nuestro país sin que nadie lo note. ¡Una delegación de más de 500 personas con más de 300 medallas sale de la nada!

Mientras estudiaba y aprendía a producir contenido para nuestra cobertura, todo el tiempo pensaba que si estábamos alentando a una persona con discapacidad a buscar un deporte o al menos permitir que alguien se sintiera bienvenido como lo hice yo hace 4 años, todo el tiempo. esfuerzo ya fue pagado, muy bien pagado. Hasta el sábado pasado (31), penúltimo día de juegos, recibimos este mensaje en Instagram:


Cuando tocamos tanto la clave de la importancia de la representatividad, de eso estamos hablando. Creo que nada acoge y apoya a nadie tanto como el sentimiento de pertenecer a un grupo o espacio. Sabiendo que nuestra cobertura de juegos siempre es demasiado buena.

Hace cuatro años era una mujer discapacitada sin mucha (o ninguna) idea de lo que eso significaba. Y si hoy ya me siento portador de esta identidad, los parasports son sin duda algunas de las personas responsables de esto.

Entonces: gracias de nuevo, Parapan. ¡Que Tokio 2020 venga con mucho ruido para nosotros!

#GaleriaNoParapan Equipo de cobertura

Danielle Nunes - Contenido

Ieska Tubaldini Laban - Contenido

Leandra DuArt - Organización y soporte

Leandro Maciel - descripción de imágenes

Luccas - Publicaciones

Natalia Hipólito - Diseño

Paloma Barbosa - Diseño

Rayane Brasil - Revisión


Tabla final de medallas Juegos Parapanamericanos Lima 2019



Ieska Tubaldini

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1 comentários

  1. O quadro de medalhas reflete o exato resultado de um trabalho como de Vocês mesmo. Parabéns!

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