Eu não quero andar, lide com isso Por Ana Clara Moniz

by - setembro 27, 2019


Quais são as primeiras frases que você se lembra de ter ouvido? Ou pelo menos, os primeiros acontecimentos que ficaram marcados na sua mente? A descoberta de novas coisas, os primeiros porquês de o mundo ser assim, alguma lição que aprendeu na escolinha ou o comportamento de alguém na rua que saiu do seu normal e você se surpreendeu. Desde que me reconheço por gente, o que mais me lembro não são frases, nem acontecimentos: são olhares. Ainda bem pequenininha eu me lembro de passear pelas ruas da cidade da minha avó e perceber todos os olhares me seguindo. Me lembro do meu primeiro dia de aula, que todos os meus amiguinhos me olharam por muito tempo para entender porque eu era tão diferente. Eu sempre entendi porque me olhavam, porque eu sempre entendi quem eu era. Não teve um momento que eu percebi minha deficiência, para mim sempre foi muito comum aprender a lidar com meu próprio corpo, assim como qualquer criança com suas duas pernas, dois braços e completa capacidade de locomoção como estamos acostumados.
Eu me lembro dos olhares em todos os lugares. Até hoje, eu consigo senti-los sobre mim como em programas do Animal Planet de animais selvagens em que usam frases como "não faça movimentos bruscos ou eles podem te atacar". Agir discretamente, tentar passar despercebido, muito calmamente e tranquilamente, sem nada de diferente para não notarem tanto. Qualquer movimento a mais, é possível que venham até você e se vierem até você… espere o melhor, mas se não acontecer, não se surpreenda. 
O que mais me incomoda não são os olhares, não mesmo, mas o que eles trazem consigo. Eu nunca andei. Nunca se quer dei meus primeiros passos sozinha. Mas, durante meu crescimento, essa foi a vida que eu aprendi a ter. Não andar nunca foi um fardo, muito menos um desejo maior que todos os outros. Não é como se eu amasse minha deficiência, mas também não a odeio. Eu gostaria de ter força, para variar um pouco, não nego. Eu gostaria de andar para não ter que lidar com a acessibilidade precária que sou obrigada a passar todos os dias. Mas eu também gostaria de lançar um livro, escrever e produzir filmes, trabalhar em um grande canal de TV, conhecer a Selena Gomez, namorar com o Gabriel Medina, ser rica, viajar o mundo, pular de paraquedas, ir à lua… sei lá, eu gostaria de fazer tanta coisa. Andar não é minha prioridade e nunca foi. Se eu fizer tudo que eu quero na minha cadeira de rodas, arrisco dizer que não quero andar. Eu não preciso andar. Eu posso viver a minha vida do jeito que sonhar e planejar em meus devaneios diários. Talvez eu nunca me acostume com os olhares e os julgamentos, é verdade. Mas vai me dizer que você que anda também não é olhado e julgado por outra coisa?

Então, dá próxima vez que você me ver na rua, não fale que vai rezar por mim para eu levantar da cadeira de rodas, eu estou muito bem sentada aqui.
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No quiero caminar, lidiar con eso


¿Cuáles son las primeras oraciones que recuerdas haber escuchado? ¿O al menos los primeros eventos que se marcaron en tu mente? El descubrimiento de cosas nuevas, los primeros por qué del mundo son así, alguna lección que aprendiste en la escuela o el comportamiento de alguien en la calle que se salió de tu camino y te sorprendiste. Mientras me reconozca, lo que más recuerdo no son frases o eventos: son miradas. Todavía muy joven, recuerdo caminar por las calles de la ciudad de mi abuela y notar que todos los ojos me seguían. Recuerdo mi primer día de escuela, que todos mis pequeños amigos me miraron durante mucho tiempo para entender por qué era tan diferente. Siempre entendí por qué me miraban, porque siempre entendí quién era. No hubo un momento en que me di cuenta de mi discapacidad, siempre fue muy común para mí aprender a lidiar con mi propio cuerpo, como cualquier niño con dos piernas, dos brazos y movilidad completa como estamos acostumbrados.


 Recuerdo las miradas en todas partes. Hasta el día de hoy, puedo sentirlos acerca de mí como en los programas de vida silvestre de Animal Planet donde usan frases como "No hagas movimientos bruscos o pueden atacarte". Actuando discretamente, tratando de pasar desapercibido, muy tranquila y silenciosamente, sin nada diferente para no notar tanto. Es probable que lleguen más movimientos y, si se trata de usted ... espere lo mejor, pero si no es así, no se sorprenda.

Lo que más me molesta no es el aspecto, no realmente, sino lo que traen consigo. Yo nunca caminé. Nunca quise dar mis primeros pasos solo. Pero durante mi crecimiento, esta fue la vida que aprendí a tener. No caminar nunca ha sido una carga, y mucho menos un deseo mayor que todos los demás. No es que ame mi discapacidad, pero tampoco la odio. Me gustaría tener fuerza, para variar, no lo niego. Me gustaría caminar para no tener que lidiar con la poca accesibilidad que tengo que pasar todos los días. Pero también me gustaría lanzar un libro, escribir y producir películas, trabajar en un gran canal de televisión, conocer a Selena Gomez, salir con Gabriel Medina, ser rico, viajar por el mundo, hacer paracaidismo, ir a la luna ... No sé Me gustaría hacer mucho. Caminar no es mi prioridad y nunca lo ha sido. Si hago todo lo que quiero en mi silla de ruedas, me arriesgo a decir que no quiero caminar. No necesito caminar. Puedo vivir mi vida como sueño y planifico en mis sueños diarios. Tal vez nunca me acostumbraré a la apariencia y los juicios, es verdad. ¿Pero me dirán que ustedes que caminan tampoco son vistos y juzgados por otra cosa?
 Así que la próxima vez que me veas en la calle, no digas que vas a rezar para que me levante de la silla de ruedas, estoy sentado muy bien aquí.



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