Olhe a sua volta Por Heithor Duarte

by - agosto 23, 2019


(Texto en español a continuación)

Eu tenho 26 anos e desde que me conheço por gente, sei que faço parte da comunidade LGBT+, mesmo sem saber o que era ou o que significava essa sigla. Com 12 anos me declarei para a coleguinha da escola sem nem pensar nas consequências, porque eu gostava dela e sentia que precisava dizer.

A palavra ”sapatão” nunca me incomodou, por mais que fosse usada de maneira ofensiva pelos demais. Afinal, eu era um sapatão e com orgulho.

Sair do ‘L’ e ir para o ‘T’ foi difícil, não vou mentir. Parte de mim se encontrou, e a outra ficou confusa, com medo de deixar de existir. Não é somente mudar o corte do cabelo e pronto, tem muita coisa envolvida, tem muitas questões, muitas respostas e muito medo também.

Não se trata daquele cara trans lá de fora que você viu na internet e como a transição dele ficou legal. Essa é a sua vida, é você quem vai conviver com seus erros e acertos e não tem como correr das suas decisões no futuro. Moramos no país que mais mata LGBT+ no mundo. Ter coragem de caminhar contra toda essa onda de preconceito exige muita força e orgulho. E caminhar contra a onda de preconceito (que infelizmente existe) dentro da própria comunidade LGBT+ exige ainda mais força e ainda mais orgulho.

Antes de iniciar minha transição e ainda lido como “sapatão” (mesmo com barba na cara ainda sou lido assim nos dias de hoje, mas isso é papo para outro dia), eu não olhava muito para o lado para ver o que meus companheiros de luta passavam. Eu sabia claro, mas isso não me tirava o sono. Um tanto egoísta, eu sei. Mas infelizmente isso é normal. As pessoas normalmente só prestam atenção no que acontece a sua vida, e só depois, com sorte, elas conseguem olhar em volta. Depois de entender o que aquele T significava, eu consegui enxergar tudo melhor. Sair da minha “zona de conforto” me ajudou muito a entender e enxergar as outras pessoas, sejam aquelas que estão longe ou aquelas que caminham com a gente. A sociedade automaticamente nos invisibiliza e nós temos que acabar com isso. Nós precisamos acabar com isso. Nós, como sociedade, precisamos urgentemente começar a olhar para o lado, para a dor do outro, sem comparar se a minha é maior ou menor que a dele.

Recentemente assisti a um documentário na netflix chamado “A Morte e a Vida de Marsha P. Johnson”. Até poucos dias atrás eu não sabia quem era a Marsha P. Johnson ou Sylvia Rivera, e isso é uma vergonha. Duas grandes mulheres trans que revolucionaram de fato, o movimento LGBT+ na década de 80 e início de 90. Duas mulheres trans que se prostituíram para abrigar jovens lgbts que foram expulsos de casa. Uma foi encontrada morta em um rio de NY, a policia fala que foi suicídio; o que muitos próximos a ela discordam totalmente. A outra, morreu anos depois de câncer no fígado, depois de sofrer muito durante anos vivendo sozinha nas ruas. Duas mulheres trans maravilhosas e que definitivamente não ouvimos falar toda hora. E por quê? Por que os nomes delas não estão espalhados por tudo quanto é lugar? Por que o nome de Dandara dos Santos não está espalhado em todos os lugares, para nos lembrarmos do que ela passou e o que foi feito por ela? E o nome de muitas outras trans e travestis que foram assassinadas (quase sempre de maneiras monstruosas como Dandara) que não sabemos o nome? Lembro-me que o caso da Dandara, foi um dos primeiros casos de transfobia que me chocou de uma maneira absurda.

Ela foi assassinada por “adolescentes” em plena luz do dia, filmaram, colocaram na internet, a humilharam mesmo depois de morta, você tem noção do quanto isso é sério?! Ninguém a ajudou, ninguém enfrentou aqueles monstros e a tirou dalí. Ninguém olhou para ela naquele momento. Você sabe o que isso significa? Olhar pra alguém que precisa de ajuda e não fazer nada? É muita falta de humanidade. O ser humano em si está podre. A gente precisa desfocar de nós mesmos e olhar para os outros. No que eu posso ajudar o outro? O que eu posso fazer para melhorar a vida dele mesmo se for por um minuto?
O movimento LGBT+ é desunido desde sempre. Como pedimos por respeito e paz se não conseguimos isso nem dentro do nosso próprio meio? Você precisa parar de se achar melhor do que a lésbica, do que a mulher trans , da travesti ou do gay feminino, do cadeirante, o muletante, o cego, o surdo, sua tia, sua vó, seus irmãos, e assim vai... Você não é melhor do que ninguém. Saia do pedestal que você mesmo se colocou, e olhe em volta. As pessoas estão gritando por atenção de maneira errada. Não é no facebook ou no instagram que a sua vida vai ficar melhor. Saia do pedestal e veja as pessoas a sua volta. Seja alguém que se importe, e não alguém que não vale a pena. Empatia, já ouviu falar?

Heithor Duarte
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Tengo 26 años y desde que me conozco, sé que soy parte de la comunidad LGBT +, incluso sin saber qué significaba o qué significaba ese acrónimo. A los 12 años me declare ante la compañera de escuela sin pensar siquiera en las consecuencias, porque me caía bien y sentía que necesitaba decirlo.

La palabra "retozar" nunca me molestó, no importa cuán ofensiva fuera usada por otros. Después de todo, era un dique y orgulloso.

Salir de 'L' e ir a 'T' fue difícil, no mentiré. Una parte de mí se conoció, y la otra estaba confundida, temerosa de dejar de existir. No es solo un cambio de corte de pelo y eso es todo, hay muchas cosas involucradas, muchas preguntas, muchas respuestas y mucho miedo también.


No se trata del transexual que viste en Internet y de lo genial que fue su transición. Esta es tu vida, eres tú quien vivirá con tus errores y éxitos y no hay forma de huir de tus decisiones en el futuro. Vivimos en el país que mata a más LGBT + en el mundo. Tener el coraje de ir en contra de toda esta ola de prejuicios requiere mucha fuerza y ​​orgullo. Y caminar contra la ola de prejuicios (que desafortunadamente existe) dentro de la comunidad LGBT + en sí misma requiere aún más fuerza y ​​aún más orgullo.


Antes de comenzar mi transición y aún leer como un "retozo" (incluso con la barba en la cara, todavía estoy leyendo así en estos días, pero eso es hablar para otro día), no miré mucho a un lado para ver de qué venían mis compañeros. La lucha continuó. Lo sabía, por supuesto, pero no me daba sueño. Un poco egoísta, lo sé. Pero desafortunadamente esto es normal. Las personas generalmente solo prestan atención a lo que sucede en su vida, y solo entonces, con suerte, pueden mirar a su alrededor. Una vez que entendí lo que significaba esa T, pude ver todo mejor. Salir de mi "zona de confort" me ayudó mucho a comprender y ver a otras personas, ya sea aquellos que están lejos o los que caminan con nosotros. La sociedad automáticamente nos hace invisibles y tenemos que ponerle fin. Necesitamos terminar con esto. Nosotros, como sociedad, necesitamos urgentemente comenzar a mirar de reojo, al dolor del otro, sin comparar si el mío es más grande o más pequeño que el suyo.

Recientemente vi un documental en netflix llamado "La muerte y la vida de Marsha P. Johnson". Hasta hace unos días no sabía quién era Marsha P. Johnson o Sylvia Rivera, y es una pena. Dos grandes mujeres transgénero que realmente revolucionaron el movimiento LGBT + en la década de 1980 y principios de 1990. Dos mujeres transgénero que se prostituyeron para albergar a personas LGBT jóvenes que fueron expulsadas de sus hogares. Uno fue encontrado muerto en un río de Nueva York, la policía dice que fue un suicidio; con lo cual muchos cercanos a ella están totalmente en desacuerdo. El otro murió años después del cáncer de hígado, después de sufrir mucho durante años viviendo solo en las calles. Dos maravillosas mujeres trans que definitivamente no hemos escuchado todo el tiempo. ¿Es porque? ¿Por qué sus nombres no están dispersos por todas partes? ¿Por qué el nombre de Dandara dos Santos no se extiende por todas partes para recordarnos por lo que pasó y lo que se hizo por ella? ¿Y el nombre de muchos otros trans y travestis que fueron asesinados (casi siempre de manera monstruosa como Dandara) de los que no sabemos el nombre? Recuerdo que el caso de Dandara fue uno de los primeros casos de transfobia que me sorprendió de una manera absurda. Fue asesinada por "adolescentes" a plena luz del día, filmada, publicada en Internet, la humilló incluso después de su muerte. ¿Sabes lo grave que es esto? Nadie la ayudó, nadie se enfrentó a esos monstruos y se la llevó. Nadie la miró en ese momento. ¿Sabes lo que esto significa? ¿Buscas a alguien que necesita ayuda y no hace nada? Es muy falta de humanidad. El ser humano mismo está podrido. Necesitamos difuminarnos y mirar a los demás. ¿Cómo puedo ayudarnos unos a otros? ¿Qué puedo hacer para mejorar su vida aunque sea por un minuto? El movimiento LGBT + siempre ha sido desunido. ¿Cómo pedimos respeto y paz si no podemos hacerlo incluso en medio de nosotros mismos? Debes dejar de sentirte mejor que la lesbiana, la mujer trans, la travesti o la mujer gay, la silla de ruedas, el muletante, la ciega, la sorda, tu tía, tu abuela, tus hermanos, etc. .. No eres mejor que nadie. Bájese del pedestal que colocó usted mismo y mire a su alrededor. La gente está pidiendo atención por el camino equivocado. No es en Facebook o Instagram que tu vida mejorará. Bájese del pedestal y vea a las personas que lo rodean. Sé alguien a quien le importe, no alguien que no valga la pena. Empatía, ¿has escuchado?


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