Olhar e Gestos delicados matam Por Silvana Gimenes

by - agosto 20, 2019


(Texto en español a continuación)

O ser humano sempre me surpreende, seja para o bem ou para o mal e já aprendi a me defender ou me blindar de alguns ataques silenciosos de preconceito e discriminação, creio que Pessoas com deficiência, Pessoas LGBTQAI+ , Pessoas Negras, Pessoas obesas entre outras também adquiriram essa expertise.

Brinco que alguns são como uma cebola, quando questionados sobre preconceito, discriminação , surge sempre uma sequencia de camadas que tentam dar uma proteção a anterior . Porém quando persistimos em questionar, mostramos que cada camada pode ou não estar cheia de falhas, sem o polimento correto e deixam vazar os conceitos , valores , formas de agir e pensar que por vezes não possui o verniz necessário para se ser o “Cara” que imaginamos .

Em outros tempos pairava no ar o “politicamente correto” que demandava uma conduta social de um certo respeito , quer seja por educação, quer seja pelo medo de não estar alinhado ao pensamento de determinados grupos, bandos ou tribos reduzindo os danos . A priori, essas varias “camadas ” serviam para frear , por vezes as manifestações preconceituosas ou atos discriminatórios .

Mais o fato de não verbalizar a discriminação, o preconceito, não significa que ele não está lá e pois para quem não desconfia , somos traídos pelo nossos gesto, nosso corpo e olhar. Como disse Leonardo da Vinci “Os olhos são a janela da alma e o espelho do mundo” e são, eles denuncia o asco, o dó, a nossa superioridade frente ao nosso alvo.

Mas saiba os Olhos não estão sozinhos nesta tarefa de revelar que as pessoas do nosso convívio ou não são preconceituosas ou discriminam gestos simples , por vezes cheios de delicadeza ou de improviso revelam as angustias de se estar frente a frente com um corpo dissonante do seu, corpos racializadas e sexo-gênero dissidentes que podem ser descartáveis, não respeitados nas sua escolhas .
Estou cansada de ouvir discursos como não sou capacitista , meu vizinho é cadeirante até já empurrei sua cadeira, um amigo meu dançou com um mina cega! ; ou não sou racista , tenho amigos negro, até já namorei uma mulata e ainda a máximo tenho um amigo gay ele é ótimo na decoração, ou ele me dá dicas de maquiagem

Só quem entrou em um vagão de trem ou metro, um elevador, a sala de aula ou mesmo colocou o pé na rua e sentiu olhares vindo em sua direção , sabe o quando os olhos nos trai. Só quem sentou em um banco e viu a pessoa que ali estava se encolher ou se jogar contra o lado oposto em uma busca frenética para criar, naquele espaço mínimo, uma distancia segura entre o corpo dela e o seu.
Só quem percebe as manobras que são feitas para se evitar, educadamente, o toque entre corpos , como se esse corpos discordantes, fosse capaz de contaminar , alguns chegam ao desespero de levantar e mudar de lugar, ou cumprimentar você com um sorriso amarelo e caridoso.

Só quem esta cansada de ouvir discursos como : - não sou capacitista , meu vizinho é cadeirante até já empurrei sua cadeira, um amigo meu até dançou com um mina cega! ; ou não sou racista , tenho amigos negro, até já namorei uma mulata e ainda a máximo tenho um amigo gay ele é ótimo na decoração, ou ele me dá dicas de maquiagem .

Só quem conhece o tamanho das feridas que se abre em nossas almas, nestes momentos e são cauterizadas a força, para que no dia seguinte , estejamos presentes nestes locais , enfrentando as pessoas e seu olhares e gestos. Sonhos e vidas que morrem ou são paralisadas , por não terem força para seguir em frente tento como lema a musica de Rita Lee Reza que diz “ Deus me perdoe por querer; Que Deus me livre e guarde de você”
Diante disso é imprescindível reconhecer a urgência em admitir o quanto este país é intolerante, preconceituoso, machista , racista, capacitista, xenofóbico , LGBTfóbico, pois ao afirmar isto damos o primeiro passo para reconhecer nossos privilégios e lutar para que todes também desfrutem dos mesmo .


Silvana Gimenes
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La mirada y los gestos delicados matan!

El ser humano siempre me sorprende, sea para bien o para mal y ya aprendí a defenderme o blindarme ante algunos ataques silenciosos de prejuicios y discriminación. Creo que las Personas con discapacidad, Personas LGBTQAI+, Personas Negras, Personas obesas entre otras, también han adquirido esa experiencia.

Bromeo con que algunos son como una cebolla, cuando son cuestionados sobre los prejuicios y la discriminación, surge siempre una secuencia de capas que intentan dar una protección inicial. Sin embargo, cuando insistimos en preguntar, mostramos que cada capa puede o no estar llena de fallas, sin el pulido correcto y dejan escapar los conceptos, valores, formas de actuar y pensar que a veces no tienen el barniz necesario para ser quien imaginábamos.

En otros tiempos estaba en el aire lo "políticamente correcto" que demandaba una conducta social de un cierto respeto, fuera por la educación, fuera por el miedo a no estar alineado al pensamiento de determinados grupos, bandos o tribus reduciendo los daños. A priori, esas varias "capas" servían para frenar, a veces, las manifestaciones prejuiciosas o las acciones discriminadoras.

Pero el hecho de no verbalizar la discriminación, el prejuicio, no significa que no esté y para quien no desconfía, somos traicionados por nuestros gestos, nuestro cuerpo y nuestra mirada. Como dice Leonardo da Vinci "Los ojos son la ventana del alma y el espejo del mundo" y son, muestran el asco, la lástima, nuestra superioridad frente a nuestro objetivo.

Pero sepan, los Ojos no están solos en esta tarea de revelar que las personas con las que convivimos o no son prejuiciosas o discriminan, gestos simples, a veces llenos de delicadeza o de improvisación revelan las angustias de estar frente a frente con un cuerpo que desentona del suyo, cuerpos racializados y disidentes en sexo-género que pueden ser descartables, no respetados por sus elecciones.

Estoy cansada de oír discursos como "no soy capacitista, mi vecino es usuario de silla de ruedas e incluso empujé su silla", "un amigo mío bailó con una piba ciega!" o "no soy racista, tengo amigos negros, incluso me enamoré de una mulata" o aún "tengo un amigo gay, es buenísimo con la decoración" o "me da consejos de maquillaje".

Sólo quien entró en un vagón de tren o de subte, un ascensor, el salón de clase o incluso puso el pie en la calle y sintió miradas en su dirección, sabe cuánto delatan los ojos. Sólo quien se sentó en un banco y vio que la persona que estaba sentada se encogió o se movió a la otra punta en una búsqueda frenética de crear, en ese espacio mínimo, una distancia segura entre su cuerpo y el de ella.

Sólo quien percibe las maniobras que se hacen para evitar, educadamente, el contacto entre cuerpos, como si esos cuerpos discordantes fueran capaces de contaminar, algunos llevan a la desesperación de levantarse y cambiarse de lugar, o saludarte con una sonrisa amarilla y caritativa.

Sólo quien está cansada de oír discursos como: "no soy capacitista, mi vecino es usuario de silla de ruedas e incluso empujé su silla", "un amigo mío bailó con una piba ciega!" o "no soy racista, tengo amigos negros, incluso me enamoré de una mulata" o aún "tengo un amigo gay, es buenísimo con la decoración" o "me da consejos de maquillaje".

Sólo quien conoce el tamaño de las heridas que se abren en nuestras almas en esos momentos y son cauterizadas a la fuerza, para que al día siguiente estemos presentes en estos lugares, enfrentando a las personas y sus miradas y sus gestos. Sueños y vidas mueren o son paralizados por no tener fuerza para seguir de frente teniendo como lema la canción de Rita Lee Reza que dice "Dios me perdone por querer; que Dios me libre y guarde de vos".

Por esto, es imprescindible reconocer la urgencia en admitir cuán intolerante, prejuicioso, machista, racista, capacitista, xenofóbico, LGBTfóbico es este país, porque al afirmar esto damos el primer paso para reconocer nuestros privilegios y luchar para que todxs también disfruten de los mismos.


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