O que você veste, fala algo sobre você? Por Michele Simões

by - agosto 02, 2019


(Texto en español a continuación)

Como quero me apresentar para o mundo, você ja se fez essa pergunta alguma vez? Por mais que algumas pessoas ainda insistam em descreditar o tema Moda, colocando o mesmo a margem dos temas relevantes, o fato é, que apesar de nascermos nus, ainda temos condutas sociais onde andar sem roupa não é uma opção, portanto pensar sobre isso é importante sim!


Me lembro como se fosse ontem, que logo após concluir o curso de consultoria de imagem, eu decidi testar essas valiosa ferramenta, e o lugar escolhido foi uma ida ao shopping. Entre os locais mais desconfortáveis para quem usa uma cadeira de rodas como eu, está o velho e temido elevador; digo isso porque imagina você, adentrar um espaço minúsculo, onde você fica posicionado entre corpos que nunca viu na vida, sendo alvo de olhares que se direcionam quase que instantaneamente a você. Pois bem, para tal feito escolhi cada detalhe da minha roupa, desde o brinco até o formato do calçado, adequando minuciosamente proporções e cores.

Passado o momento de constrangimento, onde todos se espremem para que você habite aquele minúsculo quadrado, uma senhora começa a me encarar, de cima a baixo ela media meu corpo e logo pensei, ela vai perguntar, com certeza!

Ao sair do elevador, dei aquela respirada aliviada e antes que desse o primeiro toque nas rodas, a tal senhora colocou a mão em meu ombro e falou: "Eu adorei a maneira como você coordenou as cores da sua roupa”.

Não sei se você entende o dimensão de tudo isso, mas foi a primeira vez em que a pergunta sobre o que aconteceu comigo, foi menos importante do que quem eu sou, e digo isso porque tudo que escolhi usar foi programado para falar sobre mim, e quando temos algum tipo de deficiência, essa lógica quase nunca acontece.

O que aconteceu com você? Você vai voltar a andar? Como é viver numa cadeira de rodas? Essa e tantas outras perguntas que me fazem dia sim, dia não, demonstram quase sempre o quanto a deficiência ainda é protagonista para o olhar que me atravessa; então se tenho a chance de ressignificar isso, por que não o fazer?

Agora pensa nisso, de acordo com alguns estudos, são necessários pouquíssimos segundos para que uma primeira impressão seja despertada através de sua imagem, então seguindo a lógica dos acontecimentos, imagina isso para um corpo que esta fora do padrão normativo?

Ter a escolha de se expressar através do que cobre seu corpo, é mais uma forma de potencializar suas qualidades, então que tal repensar seus velhos hábitos e fazer aquela perguntinha básica que coloquei logo no início, antes de se jogar no guarda-roupa?!


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La ropa que usás, dice algo sobre vos?

Cómo me quiero presentar al mundo? Te hiciste esa pregunta alguna vez? Por más que algunas personas todavía insistan en desacreditar el tema Moda, colocándolo al margen de los temas relevantes, el hecho es que a pesar de nacer desnudos, todavía tenemos conductas sociales donde andar sin ropa no es una opción, por lo tanto pensar sobre eso sí es importante!

Me acuerdo como si fuera ayer, que después de finalizar el curso de consultoría de imagen, decidí probar esa valiosa herramienta y el lugar elegido fue una ida al shopping. Entre los lugares más incómodos para quien usa una silla de ruedas como yo, está el viejo y temido ascensor; digo eso porque imagínense, entrar en un espacio minúsculo, donde te quedás ubicado entre cuerpos que nunca viste en tu vida, siendo blanco de miradas que se direccionan casi instantáneamente hacia vos. Bueno, para tal hecho escogí cada detalle de mi ropa, desde los aros hasta el tipo de calzado, adecuando minuciosamente las proporciones y los colores.
Pasado el momento de incomodidad, donde todos se agolpan para que habites el minúsculo cuadrado, una señora comienza a mirarme, de arriba a bajo medía mi cuerpo y pensé, va a preguntar, seguramente!

Al salir del ascensor, respiré aliviada y antes de dar la primera vuelta a las ruedas, la tal señora me puso la mano en el hombro y me dijo: "Amé la manera en la que coordinaste los colores de tu ropa".

No sé si entienden la dimensión de todo esto, pero fue la primera vez en que la pregunta sobre lo que me pasó fue menos importante que quien soy yo, y digo eso porque todo lo que elegí usar fue programado para hablar sobre mí, y cuando tenemos algún tipo de discapacidad, esa lógica casi que nunca sucede.
Qué te pasó? Vas a volver a caminar? Cómo es vivir en una silla de ruedas? Esa y tantas otras preguntas que me hacen casi todos los días, demuestran casi siempre cuánto la discapacidad todavía es protagonista para las miradas que me atraviesan; entonces si tengo la oportunidad de resignificarlo, por qué no hacerlo?

Ahora pensá en eso, de acuerdo con algunos estudios, son necesarios poquísimos segundos para que tu imagen despierte una primera impresión, entonces siguiendo la lógica de los acontecimientos, imaginá eso en un cuerpo que está fuera de los patrones normativos.
Tener la elección de expresarse a través de lo que cubre tu cuerpo, es otra forma más de potencializar sus cualidades, entonces qué tal si repensás tus viejos hábitos y te hacés la preguntita básica que puse en el principio, antes de tirarte al ropero?!

Michele Simões


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