Ressignificando a Cura por Violeta Alvez

by - julho 30, 2019


(Texto en español a continuación)

"Ela nasceu em uma cadeira de rodas, e nunca vai sair dela."

Escutei essa frase com aproximadamente 12 anos, nessa época era tudo muito difícil, financeiramente falando, emocionalmente falando, falando de tudo...
Meus pais se dobravam em mil, junto dos meus avós, para que nada faltasse, incluindo meus remédios e toda dieta mirabolante que eu fazia.
A cada nova consulta com um novo médico, algo incrivelmente eficaz era incluído em minha vida: sucos de caju, feijão preto, leite puro toda manhã... Mas nada resolvia, absolutamente nada!

Não era pra ser assim.

Conforme o tempo passava, eu me cansava de tudo aquilo e perguntava em silêncio, como tudo isso se findaria, será que eu iria lutar até cansar? Será que eu veria alguma luz?
De um lado, um grupo de pessoas clamava para que "eu fosse curada", do outro, minha cabeça cheia de dúvidas e perguntas que somente eu sabia...
Em 2003, um remédio foi liberado para ser usado no Brasil e eu fiz parte do primeiro ciclo de crianças que usariam.
"Não é uma cura, é uma melhora significativa". Outra frase que jamais vou esquecer, dessa vez dita pela minha endócrino.

Com as cirurgias, com os novos remédios, com o novo medicamento, tudo estava se tornando melhor, mais fácil, mais leve, porém, tudo ainda estava no mesmo lugar.
Nesse período de tantas mudanças, minha mãe me fez lembrar várias vezes que a cura não é tudo e nem sempre é a única saída, minha mãe sempre me dizia que independente do que acontecesse, eu deveria viver da melhor maneira possível.
Muitas pessoas chegaram a me questionar, porque afinal, eu ainda tenho minha fragilidade, ainda sinto muita dor e nada é um mar de rosas... Como é viver assim? Vale a pena?
Bom, aos meus olhos, enquanto se tem vida, tudo vale a pena.

Existe um peso tão grande em cima da cura, como se somente ela bastasse, como se nada menos que isso fosse bom... Porque?
Só curado que dá pra viver? Só curado que dá pra ser feliz? Só curado que dá pra agradecer por estar nesse vasto universo?
Enquanto as pessoas pensarem assim, mais difícil será passar por tudo, principalmente, dar de cara com a hipótese de que a cura pode nunca existir.

Eu não era mais para estar aqui... Alguns médicos disseram que meu corpo só suportaria viver até 15 anos, nos últimos raios de esperança que restavam, aos 13 anos tudo mudou... Nenhuma cura chegará perto da gratidão que eu sinto pelo universo ter me dado mais tempo aqui, pra conhecer mais pessoas, pra tomar uma cerveja na terça de Carnaval, pra comer pão com banana frita, pra fazer tatuagens, colocar um piercing no nariz, realizar sonhos, aplaudir as realizações dos meus amigos, dançar até de manhã... É como se eu tivesse recebido uma segunda chance, uma pausa... Sabe?
E você? Vai se martirizar esperando o milagre de uma cura completa, ou vai ser feliz agora, nesse instante?

Como diria Zeca Pagodinho "Aos trancos e barrancos lá vou eu, sou feliz e agradeço por tudo que Deus me deu!"

Violeta Alvez

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Resignificando la Cura

"Ella nació en una silla de ruedas, y nunca va a salir de ella".


Escuché esta frase con aproximadamente 12 años, en esa época era todo muy difícil, financieramente hablando, emocionalmente hablando, hablando en general...
Mis padres hacían lo imposible, junto con mis abuelos, para que no faltara nada, incluyendo mis remedios y todas las dietas rebuscadas que yo hacía.
Con cada nueva consulta con un nuevo médico, algo increíblemente eficaz era incluído en mi vida: jugos de cajú, poroto negro, leche pura toda la mañana... Pero no resolvía nada, absolutamente nada!
No estaba destinado a ser así.
Mientras el tiempo pasaba, yo me cansaba de todo eso y me preguntaba en silencio cómo terminaría todo eso, sería que iba a luchar hasta cansarme? Sería que vería alguna luz? Por un lado, un grupo de personas pedía que "yo fuera curada", del otro, mi cabeza llena de dudas y preguntas que solamente yo conocía...

En 2003, un remedio fue lanzado para ser usado en Brasil y formé parte de la primer tanda de niños que lo usarían.
"No es una cura, es una mejora significativa". Otra frase que nunca voy a olvidar, esta vez dicha por mi endocrinóloga.

Con las cirugías, con los remedios nuevos, con el medicamento nuevo, todo estaba mejorando, se estaba volviendo más fácil, más leve, sin embargo, todo estaba todavía en el mismo lugar. En ese período de tantos cambios, mi madre me recordó varias veces que la cura no lo es todo y ni siquiera es siempre la única salida, mi madre siempre me decía que independientemente de lo que sucediera, yo debía vivir de la mejor manera posible.
Muchas personas llegaron a cuestionarme, porque al final, yo todavía tengo mi fragilidad, todavía siento mucho dolor y nada es un mar de rosas... Cómo es vivir así? Vale la pena? Bien, a mi parecer, mientras se tiene vida, todo vale la pena.




Existe un peso tan grande sobre la cura, como si sólo ella bastase, como si nada menor a eso fuera bueno... Por qué?
Sólo curado vale vivir? Sólo curado vale para ser feliz? Sólo curado vale agradecer por estar en este universo vasto?

Mientras las personas piensen así, más difícil será pasar por todo, principalmente, hacer frente a la hipótesis de que la cura puede nunca existir.
Se suponía que yo no iba a estar acá... Algunos médicos dijeron que mi cuerpo sólo aguantaría vivir hasta los 15 años. En los últimos rayos de esperanza que restaban, a los 13 años todo cambió...
Ninguna cura llegará ni cerca de la gratitud que siento porque el universo me dio más tiempo acá, para conocer a más personas, para tomar una cerveza el martes de Carnaval, para comer pan con banana frita, para tatuarme, colocarme un piercing en la nariz, realizar sueños, aplaudir los logros de mis amigos, bailar hasta la madrugada... Es como si hubiera recibido una segunda oportunidad, una pausa... Sabés?

Y vos? Te vas a martirizar esperando el milagro de una cura completa, o vas a ser feliz ahora, en este instante?

Como diría Zeca Pagodinho "A los tumbos allá voy, soy feliz y agradezco por todo lo que Dios me dio!"

Violeta Alvez

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