Os homens são muito estranhos Por Lua Teles

by - julho 05, 2019


(texto em português)

Um tempo atrás um rapaz que eu nunca tinha visto antes respondeu um story de um texto meu com um: “teus textos são dahora”. Eu costumo só agradecer pelos elogios que fazem ao que escrevo, porque fico feliz mesmo, mas esse eu ri e disse: “adorei o ‘dahora’”. Nunca ninguém tinha feito aquele comentário. Geralmente falam coisas fofinhas ou “esse texto me define”, “esse foi feito pra mim”, coisas assim.

Então ele perguntou se eu tinha lançado um livro, eu disse que já e ele falou que queria muito ler, nunca tinha lido nenhum livro. Eu fiquei feliz, pensei em dar um livro pra ele. Sou louca por leitura e acho que todo mundo no mundo deveria ler bastante. Perguntei onde ele morava, ele disse que em Fortaleza, perguntei se ele podia pegar no shopping e ele disse que sim, então enviei o livro por uma amiga. Confesso que não imaginava que ele fosse ler. Eu acho que por preconceito meu pelo “dahora” dele. Fui ver o perfil dele, ele era bonito, muitas curtidas, foto bem editada, comentários um pouco rasos, parecia aqueles famosinhos top Fortal. 

Quebrei a cara, ele leu o livro todo (Doce Marta). Ele tinha pedido meu whatsapp e lia e comentando o livro comigo. Queria conhecer minha cidade para conhecer os lugares do qual o livro falava. Amava a Marta, queria ser o Eric, odiava o Rodrigo. Então terminou o livro, tivemos uma estranha amizade. Conversávamos às vezes. Mas quando conversávamos, conversávamos muito. Conversas respeitosas, muito por sinal até. 

Um dia esse bendito mandou um questionário, esses de corrente de WhatsApp. A pergunta menos quente era: “o que faria se tivesse só eu e você numa casa?”. Eu fiquei chocada aqui na minha casa em Paris. E ele era muito lindinho, não tinha como responder que iríamos tomar café, jogar dama e aguar plantas.

Essa criatura começou a me pedir fotos. Tipo F-O-T-O-S. Eu disse que Deus me livre, jamais. Ele começou com aquelas invertidas de homem que acha que a gente nasceu ontem. Que isso era uma besteira, que todo mundo fazia isso hoje em dia, era só uma foto, bla, bla, bla... Até que falou: “pois eu vou te mandar uma” antes de eu dizer “ok” porque eu ia dizer “ok” ele mandou. Eu rebolei meu celular longe e pensei: “mentira que ele fez isso”. Depois peguei o celular de novo, claro. 

Fiquei sem saber o que fazer. O que a gente fala? Me perguntei. A gente elogia? “Nossa que peruzão você tem”. Fiquei um tempo sem saber o que fazer. E a única coisa que veio e foi digitada foi: “meu deus do céu”. Porque um “meu Deus do céu” pode ser qualquer coisa. “Meu Deus do céu que coisa linda”, “meu Deus do céu tu é um louco”, “Meu Deus do céu que decepção”. “Meu Deus do céu já quero”, “Meu Deus do céu seu maníaco do parque”. 

Ainda bem que antes de eu falar mais alguma coisa, ele continuou “pronto, tá aí a foto, não custa nada”. Claro que custa, eu pensei. Depois de muita insistência pedindo, até que um dia ele desistiu, mas também não falou mais comigo. Leu meu livro, mostrou o Peru e foi embora. Os homens são muito estranhos. 

Lua Teles Pacheco 


Galeria


(texto en español)
LOS HOMBRES SON MUY EXTRAÑOS

Hace un tiempo un tipo que nunca había visto antes me respondió una historia de un texto mío con un: "tus textos son re copados". Yo acostumbro agradecer los elogios que hacen a lo que escribo, porque me pongo re feliz, pero con ese me reí y dije: "me encantó el ‘copado’". Nunca nadie me había hecho ese comentario. Generalmente me dicen cosas tiernas o "ese texto me define", "ese fue hecho para mí", cosas así.
Entonces me preguntó si yo había lanzado algún libro, le dije que sí y él dijo que le encantaría leer, que nunca había leído ningún libro. Me puse feliz, pensé en darle un libro. Me apasiona la lectura y creo que todo el mundo debería leer bastante.
Le pregunté dónde vivía, me dijo que en Fortaleza, le pregunté si podía ir al shopping y dijo que sí, entonces le mandé el libro a través de una amiga. Confieso que no me imaginaba que él lo fuera a leer. Creo que fue mi preconcepto por su "copado". Miré su perfil, él era bonito, muchos likes, fotos bien editadas, comentarios un poco superficiales, parecía de aquellos famositos top de Fortal.

Me asombró, leyó el libro entero (Doce Marta). Me había pedido mi whatsapp y leía y comentaba el libro conmigo. Quería conocer mi ciudad para conocer los lugares de los que hablaba el libro. Amaba a Marta, quería ser Eric, odiaba a Rodrigo. Cuando terminó el libro, tuvimos una amistad extraña. Conversábamos a veces. Pero cuando conversábamos, conversábamos mucho. Conversaciones respetuosas, mucho por cierto, también.


Un día el muy bendito me mandó un cuestionario, de esos de cadena de WhatsApp. La pregunta menos caliente era: "qué harías si estuviéramos sólo vos y yo en una casa?". Yo me quedé shockeada en mi casa en París. Él era muy lindo, no tenía cómo responder que iríamos a tomar café, jugar a las damas y regar las plantas.

Esa criatura me empezó a pedir fotos. Tipo, F-O-T-O-S. Yo dije que Dios me libre, jamás. Él empezó a dar vuelta las cosas como esos hombres que piensan que una nació ayer. Que eso era una tontería, que todo el mundo hacía eso hoy en día, era sólo una foto, bla, bla, bla... Hasta que dijo: "entonces te voy a mandar una yo" y antes de que yo dijera "ok" porque yo iba a decir "ok" él la mandó. Tiré mi celular lejos y pensé: "mentira que hizo eso". Después agarré el celular de nuevo, claro.

Me quedé sin saber qué hacer. Qué le digo? Me pregunté. Lo elogio? "Wow, qué pijota que tenés". Me quedé un rato sin saber qué hacer. Y la única cosa que me vino y le mandé fue: "por Dios del cielo". Porque un "por Dios del cielo" puede ser cualquier cosa. "Mi Dios del cielo que cosa linda", "mi Dios del cielo estás loco", "Mi Dios del cielo qué decepción". "Mi Dios del cielo quiero ya", "Mi Dios del cielo pedazo de maníaco del parque".

Antes de que yo dijera lo que fuera, él continuó "listo, ahí está la foto, no cuesta nada". Claro que cuesta, pensé. Después de mucha insistencia pidiendo, un día desistió, pero tampoco habló nunca más conmigo. Leyó mi libro, mostró el pito y se fue. Los hombres son muy extraños.

You May Also Like

0 comentários