Nada sobre nós, sem nós por Silvana Gimenes

by - julho 12, 2019


Meu nome é Silvana Gimenes, sou uma pessoa com deficiência, tenho paralisia cerebral e contrariando a muitos: sim, penso, logo falo bastante e escrevo um pouco. Espero que possamos conversar muito através desta coluna. Sou socióloga e tenho por vocação acompanhar o comportamento das pessoas, os fatos, a própria Historia e política deste país.

Sou militante de Direitos Humanos, engajada, por minha natureza, no movimento das pessoas com deficiência , pessoas LGBTIQ+ e alinhada, pela ancestralidade e solidariedade, com os movimentos da população Negra, Indígena e etc, pois como amo e detesto a política, porem entendo que é assim que a roda da vida gira e é o que me faz estudá-la cada vez mais.

Tem uma musica de Caetano Veloso, cantada por Gal Costa, a Divino Maravilhoso que diz “... Atenção, Tudo é perigoso; Tudo é divino maravilhoso. Atenção para o refrão É preciso estar atento e forte; Não temos tempo de temer a morte; É preciso estar atento e forte; Não temos tempo de temer a morte ....” que é a fotografia de uma transformação social vivida por nós.

Essa música feita no auge da rebeldia dos anos 60 que traduzia o espírito daquela época quando a fúria das novas ideias e comportamentos procuravam construir um mundo menos careta e mais livre. Nos dias de hoje, quando a ouço fico inquieta, por identificar similaridades entre pessoas e fatos atuais e o quando ainda é necessário estar atento e forte frente às ameaças de retrocessos que estamos vivendo.

É preciso sim estar atento para entender qual a gravidade de uma Ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Sra. Damares Alves, dizer nos noticiários que “Pais de crianças com deficiência e autismo gostariam de educar filhos em casa" e usar este mote para defender o chamado ensino domiciliar. Para alguns, esta foi mais uma das falas tempestuosa entre tantas já pronunciadas por ela , porém ela acende um grande alerta para quem luta pela educação inclusiva.

Diante deste sinal, voltei no tempo e espaço e fui ao milênio passado, há quase 40 anos, quando o movimento das pessoas com deficiência se organizou neste país e criamos um lema que reafirmava nosso compromisso com a vida, a dignidade e com o PROTAGONISMO.

Quando naquela época proclamamos “NADA SOBRE NÓS , SEM NÓS”, o recado dado e que ainda vale, é que política não deveria ser decidida apenas pelos representantes governamentais, mas ter a participação plena e direta dos membros do grupo atingido por essa política. Com isso tomamos uma posição frente as políticas publicas deste país e deste então construímos, a duras penas, a inclusão das pessoas com deficiência.

E o que caracterizou este esforço de inclusão, este empenho em tirar da penumbra a questão da deficiência, foi um trabalho pautado na ciência como produtora do conhecimento que promove o ser humano; na religião que compreende o ser humano como agente transformador e liberto da caridade. É preocupante que esse tom de fala venha da Ministra responsável pelas políticas, projetos e ações orientadas para pessoas com deficiência, indicando que queria nos devolver ao cantinho da caridade e da benevolência alheia .

É temeroso que este governo, por meio desta Ministra, insista em desconsiderar nossa trajetória de luta e se recuse a admitir que a simples presença de pessoas com deficiência em escolas, foi e é uma conquista histórica em prol da inclusão, do respeito e da liberdade de escolha.

Sim, escolhemos conviver em sociedade e lutamos muito por isso, foi longo o caminho para fugir do domínio das religiões que nos via ou como anjos que devem ser tutelados ou demônios fruto dos pecados.

Sabemos e concordamos que em determinados casos de pessoas com deficiências severas , pessoas com determinados graus de transtorno do espectro autistas e algumas outras situação essas pessoas não podem frequentar a sala de aula regular , assim existem alternativas para que as mesmas tenham o atendimento educacional adequado . Assim, acredito que hoje , elaborar qualquer política que afaste as pessoas com deficiência, com transtorno do espectro do autista, com doenças raras dessas instituições de ensino significa um retrocesso sem precedente para os milhões de brasileiros e brasileiras com deficiência.

Acredito que o momento é reafirmar nosso lema histórico: “ NADA SOBRE NÓS , SEM NÓS”,( o mesmo que já vi sendo utilizados por outros movimentos), novamente devemos incentivar a posicionarmos nossos corpos imperfeitos e disformes não só nos bancos escolares, mais também nos postos de trabalho, nas câmara municipais, estaduais ,federais buscando assim a inclusão plena .

Mais uma vez – como o foi há 40 anos - é preciso dizer não ao capacitismo (discriminação e o preconceito social contra pessoas com alguma deficiência), à intolerância e à discriminação, exigindo uma escola inclusiva e diversa para todos , pessoas com deficiência ou não , pessoas com autismo, doenças raras , pessoas LGBTIQ+, pessoas negras , refugiados. Que se mantenha a política educacional que preconiza o saber e o conhecimento pautados na diversidade e cuja função seja a socialização fundada no respeito as diferenças criando assim pessoas com senso critico e livre pensar.

As ações recentes do atual Governo, efetuando cortes de gastos com educação; promovendo mudanças constantes no MEC; reduzindo recursos das Universidades e para ciência e tecnologia, atingem profundamente as políticas de inclusão do deficiente. É preocupante que estas ações tenham um impacto restritivo quanto ao aspecto universal da educação e das oportunidades. Ao que parece, caminhamos para um processo que resultará na divisão da sociedade entre aqueles que terão acesso à mais elevada educação e aquela parcela a quem será destinada a formação mínima necessária.

Neste contexto iminente de segregação é preocupante que a ideia de educação domiciliar possa ser seja a antecipação de um retrocesso maior que termine por novamente restringir o lugar social da pessoa com deficiência aos lares e instituições dos séculos passados.


Silvana Gimenes

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(en espanhol)

NADA SOBRE NOSOTROS, SIN NOSOTROS

Hola, gente.
Mi nombre es Silvana Gimenes, soy una persona con discapacidad, tengo parálisis cerebral y contra lo que muchos creen: sí, pienso, luego hablo bastante y escribo un poco. Espero que podamos conversar mucho a través de esta columna. Soy socióloga y tengo por vocación seguir el comportamiento de las personas, los hechos, la propia Historia y política de este país.

Soy militante de los Derechos Humanos, comprometida, por mi naturaleza, con el movimiento de las personas con discapacidad, personas LGBTIQ+ y a alineada, por la ancestralidad y la solidaridad, con los movimientos de la población Negra, Indígena, etc., porque como amo y detesto la política, por lo mismo entiendo que es así que la rueda de la vida gira y es lo que me hace estudiarla cada vez más.

Hay una canción de Caetano Veloso, cantada por Gal Costa, el Divino Maravilhoso que dice "...Atención, Todo es peligroso; Todo es divino maravilloso. Atención al estribillo Es necesario estar atento y fuerte; No tenemos tiempo de temer a la muerte; Es necesario estar atento y fuerte; No tenemos tiempo de temer a la muerte..." que es la fotografía de una transformación social vivida por nosotros.

Esa música hecha en el auge de la rebeldía de los años 60 que traducía el espíritu de aquella época cuando la furia de las nuevas ideas y comportamientos procuraban construir un mundo menos falso y más libre. El día de hoy, cuando la escucho me quedo inquieta, por identificar similitudes entre las personas y los hechos actuales y cuando todavía es necesario estar atento y fuerte frente a las amenazas de retrocesos que estamos viviendo.

Es necesario sí estar atento para entender cuál es la gravedad de que una Ministra de la Mujer, de la Familia y de los Derechos Humanos, la Sra. Damares Alves, diga en los informativos que "A los padres de niños con discapacidad y autismo les gustaría educar a sus hijos en sus casas" y usar este argumento para defender la llamada enseñanza domiciliar. Para algunos, esta fue uno más de los comentarios tempestuosos ya hechos por ella, y así ella enciende una gran alerta para quien lucha por la educación inclusiva.

Frente a esta señal, volví en el tiempo y el espacio y fui al milenio pasado, hace casi 40 años, cuando el movimiento de las personas con discapacidad se organizó en este país y creamos un lema que reafirmaba nuestro compromiso con la vida, la dignidad y con el PROTAGONISMO.

Cuando en aquella época proclamamos "NADA SOBRE NOSOTROS, SIN NOSOTROS", el mensaje era que todavía vale, y que la política no debería ser decidida sólo por los representantes gubernamentales, sino tener la participación plena y directa de los miembros del grupo impactado por esa política. Con eso nos posicionamos frente a las políticas públicas de este país y así construímos, a duras penas, la inclusión de las personas con discapacidad.

Y lo que caracterizó este esfuerzo de inclusión, este empeño en sacar de la penumbra a la cuestión de la discapacidad, fue un trabajo pautado en la ciencia como productora de conocimiento que promueve el ser humano; en la religión que comprende al ser humano como agente transformador y liberado de la caridad. Es preocupante que ese tipo de discurso venga de la Ministra responsable por las políticas, proyectos y acciones orientadas hacia las personas con discapacidad, indicando que nos quería devolver al rincón de la caridad y de la benevolencia ajena.

Da miedo que este gobierno, a través de esta Ministra, insista en desacreditar nuestra trayectoria de lucha y se niegue a admitir que la simple presencia de personas con discapacidad en las escuelas, fue una conquista histórica en pos de la inclusión, del respeto y de la libertad de elección.

Sí, elegimos convivir en sociedad y luchamos mucho por eso, fue largo el camino para escapar del dominio de las religiones que nos veía o como ángeles que deben ser protegidos o como demonios fruto de pecados.

Sabemos y estamos de acuerdo en que en determinados casos de personas con discapacidades severas, personas con determinados grados del trastorno del espectro autista y algunas otras situaciones esas personas no pueden frecuentar los salones de clases regulares, por eso existen alternativas para que las mismas tengan la atención educativa adecuada. Por eso, creo que hoy, elaborar cualquier política que aleje a las personas con discapacidad, con trastorno del espectro autista, con enfermedades raras de esas instituciones de enseñanza significa un retroceso sin precedente para los millones de brasileros y brasileras con discapacidad.
Creo que es momento de reafirmar nuestro lema histórico: "NADA SOBRE NOSOTROS, SIN NOSOTROS" (el mismo que ya vi siendo utilizado por otros movimientos), nuevamente debemos incentivar a ubicar nuestros cuerpos imperfectos y deformes no sólo en los espacios educativos, sino también en los puestos de trabajo, en las cámaras municipales, estatales, federales, buscando así la inclusión plena.


Otra vez – como fue hace 40 años – es necesario decir no al capacitismo (discriminación y el preconcepto social contra las personas con alguna discapacidad), a la intolerancia y a la discriminación, exigiendo una escuela inclusiva y diversa para todos, personas con discapacidad o no, personas con autismo, enfermedades raras, personas LGBTIQ+, personas negras, refugiados. Que se mantenga la política educativa que preconiza el saber y el conocimiento pautados en la diversidad y cuya función sea la socialización fundada en el respeto a las diferencias creando así personas con sentido crítico y pensamiento libre.

Las acciones recientes del actual Gobierno, efectuando recortes de gastos en educación; promoviendo cambios constantes en el MEC; reduciendo recursos de las Universidades y para la ciencia y tecnología, involucran profundamente a las políticas de inclusión del discapacitado. Es preocupante que estas acciones tengan un impacto restrictivo en cuanto al aspecto universal de la educación y de las oportunidades. Aparentemente, caminamos hacia un proceso que resultará en la división de la sociedad entre aquellos que tendrán acceso a una más elevada educación y aquellos a quienes será destinada la formación mínima necesaria.

En este contexto inminente de segregación es preocupante que la idea de educación domiciliaria pueda ser la anticipación de un retroceso mayor que termine por nuevamente restringir el lugar social de la persona con discapacidad a los hogares e instituciones de los siglos pasados.

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