Meia Entrada e uma dívida não compreendida Por Violeta Alvez

by - julho 16, 2019


(texto em português)
A estreia de “Os Vingadores” trouxe praticamente uma comoção consigo, pessoas de um lado imploravam para que não houvessem spoilers e o outro lado contava a euforia após sair da sala de cinema. Eu estava no meio disso tudo apenas rindo dos memes. Porém, algo maior que isso, ao menos pra mim, chamou atenção. Acredito que muitos de vocês tenham visto a foto que circulou a internet, de um menino sentado em uma cadeira de rodas, e em outra foto ele em pé, e na legenda, contava que seu primo havia o ajudado a entrar de cadeira de rodas no cinema, para pagar a meia entrada destinada as pessoas deficientes. Naquele instante, eu praticamente voltei no tempo, para uma tarde na época da minha terceira série, enquanto olhava o Twitter pela timeline do meu celular. 
Eu usei cadeira de rodas até perto dos meus 15 anos, com isso, eu usava a cadeira de rodas na escola. Isso me rendeu muitas coisas, como apelidos, piadas, brigas. Mas, eu voltei para uma tarde, em que um dos meus amiguinhos perguntou se poderia usar minha cadeira de rodas e andar por um tempinho nela, e eu deixei. Eu ganhei minha cadeira de rodas de um grupo da cidade, que ajudava pessoas carentes, minha antiga cadeira de rodas estava com o assento quebrado, minha mãe havia colocado um pedaço de madeira revestido de espuma para eu sentar, mas ainda assim me machucava muito, através da diretora do colégio que eu estudava, eles souberam do meu caso e me deram uma cadeira de rodas nova, feita exatamente sob medida, essa era confortável, com um assento macio e rodas de ótima qualidade, todo mundo dizia que era um cadeira muito bonita. Meus amiguinhos me ajudaram a sentar numa cadeira comum da sala de aula, e no fim das contas, mais de cinco alunos andaram na cadeira de rodas. Era engraçado ver o semblante deles, até que um deles soltou: - Deve ser muito legal usar isso! – Eu pensei um pouquinho e respondi: - Não é muito não... - 
Na realidade, por tudo que eu passava, muitas vezes eu chegava em casa e chorava para minha mãe, por ser piada, ou por me cansar de ficar tantas horas sentada. A cadeira de rodas me levava para todos os lados, mas ela não era legal. Eu era grata por tê-la, mas ela não era legal. Éramos todos crianças naquela época, e crianças achavam tudo legal e divertido, o problema é achar tudo legal e divertido quando crescemos né? 
Essa notícia me trouxe um misto de sentimentos: dor, tristeza, pena... Mas, não pena de mim, e sim ao ver a foto daquele rapaz e seu primo achando que tudo não passava de uma brincadeira. A meia entrada, assim como as cotas, não são um privilégio. Muitos amigos meus não tem como ir a bilheteria comprar seu ingresso, e a meia entrada (geralmente 10%) destinada a pessoas com deficiência fica “reservada” para a pessoa, em muitos casos, o mesmo consegue comprar até no dia do evento. E uma breve explicação sobre as cotas para deficientes: Sabe a pessoa que pode pagar um cursinho preparatório, que pode estudar por horas sentada, e que tem acesso a infinitas coisas? Nem todos tem. As cotas são um número x de vagas destinadas a pessoas com deficiência, onde elas irão disputar entre si, esse número x de vagas. Você, por sua vez, pessoa dita como normal, irá disputar com pessoas que tem as mesmas oportunidades que você. Um método igualitário e justo. 
Após essa notícia vir a tona, eu li infinitos comentários, justificando a atitude do rapaz, dizendo que “por um filme desses vale qualquer coisa”, ou “que ele não roubou a entrada de ninguém”, que “o problema era do cinema”... De fato, o cinema deveria reparar nisso, mas acredito que o bom senso, nós devemos reparar em nós mesmos, lá dentro da nossa alma. 
Calçar os nossos sapatos, ninguém quer, ou, pensar que um dirá poderá usar calçados iguais...? Será que alguém pensa nisso? Você pensa nisso? As crianças gostavam da minha cadeira de rodas, mas acredito que nenhuma delas iria querer usar ela todos os dias, o tempo todo, muito menos, uma pessoa adulta. Mas, usar por um tempinho, algumas horas, não tem problema... né? A questão em si, não é a entrada, muito menos a meia entrada, não é o filme, não é a foto. A questão é querer “o lado bom”, quando na realidade, isso é apenas uma lei como qualquer outra, é ir contra tudo. Aceitar que isso foi uma brincadeirinha boba de dois rapazes, vai contra qualquer coisa que seja sinônimo de respeito. 
O que houve com o rapaz e seu primo? O cinema tomou alguma providência?... Aparentemente, nada. Tudo está normal, tudo foi levado como uma brincadeira, e a vida segue... 

Eu não me esqueço de onde vim, o que passei, as dores que senti, os olhares (que recebo até hoje), as risadas, os apelidos. Tudo isso me fez quem sou hoje, me criou casca, me fez forte. Quero trazer para vocês conscientização, respeito, e quero lembrar vocês da empatia, lembrar vocês que eu existo, que não sou uma piada, que não tenho privilégios (e sim direitos), que tenho uma vida, e que eu vou lutar por tudo isso, até o fim. E conto com vocês pra isso!
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(texto en espanhol)
Mi Entrada es una Deuda No Comprendida

El estreno de "Los Vengadores" trajo prácticamente un conmoción consigo, personas de un lado imploraban para que no hubiera spoilers y del otro lado contaban la euforia después de salir de la sala de cine. En el medio de todo eso, yo estaba riéndome de los memes. Sin embargo, algo más grande que eso, al menos para mí, me llamó la atención. Creo que muchos de ustedes seguramente vieron la foto que circuló en internet, de un niño sentado en una silla de ruedas, y en otra foto parado en el cine, para usar el descuento de la entrada destinado a las personas con discapacidad. En aquel instante, prácticamente volví en el tiempo a una tarde en mi época liceal, mientras miraba el timeline en Twitter.

Usé silla de ruedas hasta casi mis 15 años, por eso, yo usaba la silla de ruedas en la escuela. Eso me trajo muchas cosas, como apodos, burlas, peleas. Pero, volví a una tarde, en la que uno de mis amiguitos preguntó si podía usar mi silla de ruedas y andar un ratito con ella, y yo lo dejé. Mi silla de ruedas me la dio un grupo de la ciudad, que ayudaba a personas necesitadas, mi silla de ruedas anterior estaba con el asiento quebrado, mi madre le había puesto un pedazo de madera almohadillado para que me sentara, pero incluso así me hacía daño, a través de la directora del colegio en el que estudiaba, ellos supieron de mi caso y me dieron una silla de ruedas nueva, hecha exactamente a medida, esa era cómoda, con un asiento suave y ruedas de óptima calidad, todo el mundo decía que era una silla muy linda. Mis amiguitos me ayudaban a sentarme en una silla común del salón de clases, y al final, más de cinco alumnos anduvieron en la silla de ruedas. Era gracioso ver sus caras, hasta que uno de ellos soltó: – Debe ser muy copado usar eso! – Yo pensé un poco y respondí: – No mucho no... –

En realidad, por todo lo que pasaba, muchas veces llegaba a casa y le lloraba a mi madre, porque se burlaban de mí, o por cansarme de quedarme tantas horas sentada. La silla de ruedas me llevaba para todos lados, pero no era copada. Yo estaba agradecida de tenerla, pero no era copada. Éramos todos niños en aquella época, y los niños pensaban que todo era copado y divertido, el problema es pensar que todo es legal y divertido cuando crecemos, no?

Esa noticia me trajo una mezcla de sentimientos: dolor, tristeza, pena... Pero no pena de mí, y sí de ver la foto de aquel niño y su primo pensando que todo era sólo un juego. El descuento, así como los cupos, no son un privilegio. Muchos amigos míos no tienen cómo ir a la boletería a comprar su entrada, y el descuento (generalmente 10%) destinado a las personas con discapacidad, que queda "reservado" para la persona, en muchos casos, sólo lo pueden comprar el día del evento. Y una breve explicación sobre los cupos para discapacitados: Saben que pueden pagar un cursito preparatorio, que pueden estudiar por horas sentados, que tienen acceso a cosas infinitas? No todos tienen. Los cupos son por un número x de vacantes destinadas a personas con discapacidad, y ellas se disputarán entre sí ese número x de vacantes. Vos, por otro lado, persona nombrada como normal, te disputarás con personas que tengan las mismas oportunidades que vos. Un método igualitario y justo.

Después de que esa noticia saliera a la luz, leí infinitos comentarios, justificando la actitud del niño, diciendo que "por una película de esas vale cualquier cosa", o "que él no robó la entrada de nadie", que "el problema era del cine"... De hecho, el cine debería pensar en eso, pero pienso que con sensatez, debemos pensar en nosotros mismos, allá dentro de nuestra alma.

Ponerse en nuestros zapatos, nadie quiere, o, pensar que un día podrían usar zapatos iguales...? Será que alguien piensa en eso? Vos pensás en eso? A los niños les gustaba mi silla de ruedas, pero creo que ninguno querría usarla todos los días, todo el tiempo, mucho menos, una persona adulta. Pero, usar por un ratito, algunas horas, no hay problema... no? El tema en sí no es la entrada, mucho menos el descuento, no es la película, no es la foto. El tema es querer "la parte buena", cuando en realidad, eso es apenas una ley como cualquier otra, es ir contra todo. Aceptar que eso fue una bobadita de dos niños, va contra cualquier cosa que sea sinónimo de respeto.

Qué pasó con el niño y su primo? El cine tomó alguna precaución?... Aparentemente, nada. Todo está normal, todo fue tomado como un juego, y la vida sigue...

Yo no me olvido de dónde vine, lo que pasé, los dolores que sentí, las miradas (que recibo hasta el día de hoy), las risas, los apodos. Todo eso me hizo quien soy hoy, me creó un escudo, me hizo fuerte. Quiero traerles concientización, respeto, y quiero recordarles la empatía, recordarles que existo, que no soy sólo una burla, que no tengo privilegios (y sí derechos), que tengo una vida, y que voy a luchar por todo eso, hasta el fin. Y cuento con ustedes para eso!
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