Estaba Enojada Y Ahora Estoy Preparada, por Luna Irazabal

by - julho 23, 2019



(texto em português logo abaixo)

Me dicen que no pueden hacer nada, que tengo que lucharla sola. Escribo y no me contestan. Me mienten diciéndome que tengo que viajar acompañada y no digo nada. La vez siguiente voy llorando desde la parada hasta mi casa. Hago la denuncia y "el sistema no les permite constatarlo". Mis compañeras de lucha feminista no nos nombran y cuando lo hacen es para usarnos. Ni en los espacios diversos e "inclusivos" piensan en nuestra existencia. Casi caigo del ómnibus por las rampas que nunca funcionan bien, ya no sé a dónde hacer la denuncia. Voy a una actividad más sobre discapacidad y siguen siendo "profesionales" hablando por nosotres. Los increpo y no responden. Me evitan. Mis conocidos comparten porno inspiracional. El chofer me dice que desearía que no existiéramos. Me enojo. Le respondo. Le grito. Viajo temblando. Me bajo. El ómnibus se va, la rabia en mi pecho no.

Yo antes no sabía gritar. Después descubrí las Alertas Feministas. Descubrí salir a la calle, juntar el enojo y el dolor con el de otras y escupirlo todo. Abrazarnos. Aprendí que no rendirse al silencio es una decisión política. Que "no nos callamos más". Descubrí que mi enojo era válido y poderoso y que es una de las herramientas que tenemos contra los discriminadores y fascistas. Fui encontrando gente disidente que hacía frente y respondía, que no tenía miedo de gritar. Entonces si elles podían yo también. Era mi derecho. Decidí no reprimir más mi enojo y empezar a hablar. Pero no estaba preparada. No siempre las respuestas convencen al otro. No siempre son liberadoras. Empecé a contestar y que me ignoraran. Que negaran lo que estaba diciendo. Que me dijeran que yo me imaginaba que me discriminaban. Empecé a sentir que no importaba si yo no me callaba más si le hablaba al vacío. Se me empezó a acumular el enojo y ya no supe cómo manejarlo. Ya hace un tiempo que el enojo me dura meses. Leo que hacen otra actividad sobre nosotres sin nosotres y me quedo trancada, sin saber qué hacer. No logro siquiera distraerme. Entonces... Enojate, hermana? Sí, porque este sistema en el que vivimos no quiere que lo hagas y es necesario no conformarnos más, entender las injusticias que suceden en este momento en América Latina y en todo el mundo y no aceptarlas. Pero tenemos que buscar la manera de procesar juntas el enojo y saber bien cómo usarlo y cuándo y qué técnicas de autocuidado podemos tener. Militemos el enojo, no nos durmamos más, y militemos también la alegría, el placer y el cariño a pesar de que pretendan hacernos creer que no tenemos derecho.


Voy por la calle con las compañeras. Hablamos de autocuidado. Conozco por primera vez a una activista disca en Brasil (Leandrinha, quien se transformaría en referente para mí) y me dice que estamos juntas. En el activismo descubro el amor, y que puedo querer a otras mujeres en muchas formas distintas. Descubro espacios seguros, sobre todo en espacios de militancia LGBTIQ+ (Coordinadora de la Marcha por la Diversidad y el colectivo Ovejas Negras). Descubro activistas no discas que me tratan como una igual y que no sólo me escuchan sino que ya han escuchado a otres discas. Les discas que sigo en internet me hacen sentir menos sola. Me maravillan con conceptos que nunca pensé/entendí/procesé. Por el activismo voy a un baile por primera vez en mi vida. Voy a dos. Voy a cuatro. Empiezo a intentar no sentir vergüenza con mi cuerpo moviéndose. Tenemos Ley Trans. Festejamos afuera del Palacio Legislativo. Llego a casa y nos abrazamos con mi madre. "Ninguém solta a mão de ninguém". Compañeras feministas del FAU en Colombia me invitan a una conferencia de CREA en Nepal. Las activistas discas son reales, y son muchas, y de repente estoy al otro lado del mundo en una conferencia que exuda amor por todos lados. Nunca entendí tanto la representatividad. Nunca supe lo bien que se sentía estar entre pares. Obvio que me encariño con toda la conferencia. Vuelvo a Uruguay. Las metas ya no son las mismas. Es difícil, pero no estamos solas, ahora estamos preparadas.

 Luna Irazabal 

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"EU ESTAVA IRADA, AGORA ESTOU PREPARADA"

As pessoas me dizem que não podem fazer nada, que eu tenho que lutar sozinha.  Me falam que eu tenho que estar sempre acompanhada mas não digo nada, da última vez eu  fui chorando desde o ponto de ônibus até minha casa. Eu faço a denúncia mas "o sistema não permite constata-la". Minhas companheiras de luta feminista não nos nomeiam, e quando por ventura acontece é somente para nos usar. Nem nos espaços diversos e "inclusivos" pensam sobre nossa existência. 
Quase caio do ônibus pelas rampas que nunca funcionam bem, já não sei onde fazer uma denúncia. Eu vou a mais uma palestra sobre deficiência e como sempre há "profissionais" falando por nós, eu pergunto, mas não respondem,evitam-me. Os meus conhecidos compartilham pornôs com nossos corpos, "inspiracional". O motorista me diz que ele desejaria que nós não existíssemos, revolto-me, eu digo, eu grito,viajo tremendo. Depois de descer o ônibus vai embora, mas a raiva no meu peito não.

Antes eu não sabia gritar, depois eu descobri as "Alertas Feministas". Descobri o sair nas ruas, juntar a raiva e o dor com outras mulheres, expeli-lás e  após isso nos abraçamos. Eu aprendi que se render ao silêncio é uma decisão politica, que não nos calamos mais,descobri que minha raiva era válida e poderosa e que é uma das ferramentas que temos contra os discriminadores e fascistas. Eu fui encontrando pessoas dissidentes que faziam frente e respondiam que não tinham medo de gritar: Então, se eles podiam, eu também posso, é o meu direito. 
Eu decidi não reprimir mais a minha raiva e começar a falar, mas eu não estava preparada, nem sempre as respostas convencem alguém, nem sempre são libertadoras, comecei a contestar mas fui ignorada. Negaram o que eu estava dizendo, me disseram que a discriminação da qual falava era ilusória, comecei a sentir que não importava minha voz, se eu falava para o vazio, começou a me machucar e eu não soube o que fazer com a raiva, já faz um tempo que a raiva dura meses, eu leio que fazem eventos sobre nós sem nós e fico confusa, sem saber que fazer. Eu não consigo sequer distrair-me. Então... "Te irrita mulher?! "Sim, porque este sistema no qual vivemos não deseja que você se ire e sim que se conforme, mas é preciso compreender as injustiças que acontecem neste instante na América Latina e no mundo inteiro e não aceitá-las mais. 
Temos que achar a maneira de processar juntas a raiva e saber bem como utilizá-la e quando e quais técnicas de autocuidado podemos ter. Militemos a raiva, não voltemos a fechar nossos olhos, e militemos também a alegria, o prazer e o carinho ainda quando eles pretendam nos fazer crer que não temos direitos.

Eu vou pela rua com as companheiras, falamos de autocuidado, conheço pela primeira vez uma ativista PCD no Brasil (Leandrinha, quem se transformaria numa referência para mim), e ela me diz que estamos juntas, no ativismo descubro o amor, e que posso querer as outras mulheres de muitas formas diferentes. Descubro espaços seguros, sobre tudo na militância LGBTIQ+ ("Coordenadora da Marcha por la Diversidad" e o coletivo "Ovejas Negras"). As ativistas não PCDs que me tratam como uma igual e que não só me escutam como também a outras PCDs. As PCD que sigo na internet me fazem sentir menos sozinha, eu fico maravilhada pelos seus conceitos que jamais pensei/entendi/processei antes. 

Por causa do ativismo vou a uma festa pela primeira vez na vida, fui a duas, a quatro, a várias, começo a tentar não sentir vergonha do meu corpo em movimento, (Temos "Ley Trans". Festejamos fora do "Palacio Legislativo"
Chego na minha casa e nos abraçamos com a minha mãe. "Ninguém solta a mão de ninguém", companheiras feministas do FAU (Colômbia) convidam-me para uma conferência da CREA no Nepal.

 As ativistas PCDs são reais e são muitas, e de repente estou do outro lado do mundo numa conferência que emana amor por todos os lados. Eu jamais entendi tanto a representatividade, nunca soube quão bem eu poderia saber como era está  entre pares. 
Me encanto por todas as pessoas da conferência, volto para o Uruguai, os objetivos já não são os mesmos, é difícil, mas não estamos sozinhas, agora estamos preparadas.

 Luna Irazabal 

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