Sobre o que falar aqui?

by - junho 04, 2019


(texto em português)

Sobre o que falar aqui?
Enquanto dezenas de ideias disputavam minha escolha de tema para esse primeiro artigo, eu resolvi me dar um pouco mais de trabalho e perguntei nas stories do meu Instagram o que as pessoas gostariam de ler na minha coluna, afirmando que eu poderia falar sobre qualquer coisa do mundo todo.
"O que um organizador de eventos deve fazer em relação à acessibilidade?"
"Viagens acessíveis"
"Atitudes que vocês gostem que nós tenhamos"
Isso me lembrou de quando comecei um canal no YouTube publicando uma série de vídeos sobre
o Oscar de 2018 e recebi como feedback muitos pedidos de vídeos sobre deficiência.
Na época, perguntei a uma grande amiga, que também é cadeirante e produtora de conteúdo,
se eu estava errada em usar o meu canal de comunicação para falar sobre coisas que nada tinham a
ver com a minha deficiência.
"Eu acho que é isso que falta. Já temos pessoas com deficiência falando sobre deficiência, você pode
tentar mostrar que nós não vivemos só em função das nossas deficiências", ela me respondeu e isso
me causou um alívio imenso, porque minha ideia inicial era justamente essa.


Procurando o caminho
A primeira coisa que perguntei à Leandra Du Art quando ela me convidou para fazer parte do time de
colunistas da Galeria PCD foi se ela queria artigos sobre deficiência ou se nós todos poderíamos falar
sobre o que quiséssemos.
Eu já tinha aceitado o convite, mas confesso que ele ganhou um sabor ainda mais especial quando ela
disse que eu poderia falar sobre o que me desse na telha.
Tudo isso me levou a receber com alguma estranheza, ainda que não muita surpresa, as sugestões de
tema no meu Instagram.
Pensando sobre, eu consegui entender que, à medida que sempre falo sobre deficiência para a
minha rede e sempre me abro a responder perguntas sobre o tema, talvez já seja esperado que eu
continue criando conteúdo sobre isso.
Ao mesmo tempo, eu também falo sobre esportes, filmes, séries, livros, política.
Por que esses temas não foram considerados pelos meus amigos?


Calma, não estou reclamando de vocês
Pensei que um dos motivos, talvez o principal deles, seja que esportes, filmes, séries, livros ou política
já são temas que encontramos em qualquer lugar, sob as mais diversas óticas.
Depois somei a isso a percepção de que, de fato, já temos muitas pessoas falando sobre deficiência
na internet, mas esse tipo de conteúdo ainda é tão restrito para o "nosso nicho" que ele se torna
invisível para quem está “do lado de fora”.
A partir do momento em que eu consigo alcançar essas pessoas e trazê-las para dentro do nosso
mundo, é natural que elas queiram saber mais, não é?
Com tudo isso, admito que fiquei ainda mais perdida sobre como determinar a linha temática da
minha coluna. Se antes eu planejava não falar diretamente sobre deficiência em nenhum momento,
depois eu comecei a pensar se isso faria real sentido.


E, afinal, o que fazer?
Nesses anos de construção da minha identidade enquanto mulher com deficiência, me dei conta de
que as minhas rodas estão presentes, sim, em todos os aspectos da minha vida.
Ao escrever a resenha de um livro ou contar a vocês sobre minha visita a determinado museu,
indiretamente eu também estarei falando sobre a minha deficiência, já que ela transforma todas as
interações pelas quais eu passo. E que tudo bem. Essa vivência fez de mim o que eu sou e moldou o
meu olhar como ele é.
Assim, hoje eu inauguro esse espaço com o trato de falar sobre filmes, livros, esportes, política,
viagens e, sim, deficiência. Se a ideia é a de dialogar, acredito que solucionar dúvidas e desconstruir
crenças seja tão importante quanto mostrar que nós podemos conversar sobre qualquer assunto.
E desconfio que é exatamente isso que vai acontecer em todas, ou boa parte das colunas que vocês
verão por aqui.
No fim das contas, não sei se as sugestões de temas que recebi pelo Instagram se tornarão artigos
para a minha coluna, mas a reflexão proporcionada por elas foi tão esclarecedora que, vejam só,

se mostrou como a melhor opção para começar a falar com vocês por aqui.
E aí, vamos juntos falar sobre… quase qualquer coisa? Sobre o que vocês querem ler? -----------------------------------
(texto en español)
Sobre qué hablar aquí?

Mientras decenas de ideas se disputaban mi elección de tema para este primer artículo, resolví darme
un poco más de trabajo y pregunté en mis historias de Instagram qué les gustaría leer a las personas
en mi columna, afirmando que podría hablar de cualquier cosa en el mundo entero.
"Qué debe hacer un organizador de eventos en relación a la accesibilidad?"
"Viajes accesibles"
"Actitudes que les guste que tengamos"
Eso me hizo acordarme de cuando comencé un canal de Youtube publicando una serie de videos sobre
los Óscar de 2018 y recibí como feedback muchos pedidos de videos sobre discapacidad.
En esa época, le pregunté a una gran amiga, que también es usuaria de silla de ruedas y
productora de contenido, si yo estaba equivocada por usar mi canal de comunicación para hablar de
cosas que nada tenían que ver con mi discapacidad.
"Creo que eso es lo que falta. Ya tenemos personas con discapacidad hablando sobre discapacidad,
vos podés intentar mostrar que nosotros no vivimos sólo en función de nuestras discapacidades", ella
me respondió y eso me dio un alivio tremendo, porque mi idea inicial era justamente esa.

Buscando el camino
Lo primero que le pregunté a Leandra Du Art cuando me invitó a ser parte del grupo de columnistas de
la Galería PCD fue si ella quería artículos sobre discapacidad o si todos podríamos hablar sobre lo
que quisiéramos.
Yo ya había aceptado la invitación, pero confieso que adquirió un sabor incluso más especial
cuando ella dijo que yo podría hablar sobre lo que se me diera la gana.
Todo eso me llevó a recibir con un poco de extrañeza, aunque no mucha sorpresa, las sugerencias de
tema en mi Instagram.
Pensando en eso, conseguí entender que, como siempre hablo sobre discapacidad en mis redes y
siempre me abro a responder preguntas sobre el tema, capaz ya esperan que continúe creando
contenido sobre eso.
A su vez, yo también hablo sobre deportes, películas, series, libros, política. Por qué esos temas no
fueron considerados por mis amigos?

Calma, no les estoy reclamando
Pensé que uno de los motivos, tal vez el principal, sea que los deportes, películas, series, libros o
política ya son temas que encontramos en cualquier lugar, con los puntos de vista más diversos.
Después le sumé a eso la percepción de que, de hecho, ya tenemos muchas personas hablando sobre
discapacidad en internet, pero ese tipo de contenido aún está tan restringido a "nuestro nicho" que se
vuelve invisible para quien está "del lado de afuera".
A partir del momento en que consigo llegar a esas personas y traerlas para dentro de nuestro mundo,
es natural que ellas quieran saber más, no?
Con todo eso, admito que me quedé todavía más perdida sobre cómo determinar la línea temática de
mi columna. Si antes planeaba no hablar directamente sobre la discapacidad en ningún momento,
después comencé a pensar si eso tendría sentido de verdad.

Y, al final, qué hacer?
En esos años de construcción de mi identidad en cuanto a mujer con discapacidad, me di cuenta de
que mis ruedas están presentes, sí, en todos los aspectos de mi vida.
Al escribir la reseña de un libro o contarles sobre mi visita a determinado museo, indirectamente
también voy a estar hablando sobre mi discapacidad, ya que ella transforma todas las interacciones
por las cuales paso. Y que todo bien. Esa vivencia me hace lo que soy y moldeó mi manera de
observar.
Así, hoy inauguro este espacio con la intención de hablar de películas, libros, deportes, política,
viajes y, sí, discapacidad. Si la idea es dialogar, creo que solucionar dudas y deconstruir creencias
será tan importante para mostrar que podemos conversar sobre cualquier asunto. Y sospecho que es
exactamente eso lo que va a pasar en todas, o buena parte de las columnas que verán por acá.
A fin de cuentas, no sé si las sugerencias de temas que recibí por Instagram se volverán artículos para
mi columna, pero la reflexión proporcionada por ellas fue tan esclarecedora que, miren nomás, se
mostró como la mejor opción para empezar a hablar con ustedes por acá.
Entonces, vamos a hablar juntos de... casi cualquier cosa? Sobre qué quieren leer?





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