Se eu encontrasse Sylvia Rivera e Marsha P. Johnson diria... Por Silvana Gimenes

by - junho 21, 2019


(em português)

Junho é um mês das festas juninas, mês de saudar Santo Antônio e comemorar o dia dos namorados, pedir um bom casamento para São João e fechar com as chaves de São Pedro tanta festança.


Mas também é o mês do Orgulho LGBT onde no dia 28 de junho entre São João e São Pedro comemora se o orgulho de ser Gay, também é no feriado de Corpus Christis na cidade de São Paulo que temos a maior Parada LGBT do Mundo, que este ano comemora os 50 anos da Revolução de Stonewall . Sim gosto de dizer Revolução, pois na essência para aquelas pessoas foi um ato de revolta somado a decisão de mudar a realidade existente.

Fico me perguntado se pudesse encontrar Sylvia Rivera e Marsha P. Johnson, as duas mulheres trans, de origens latina e negra que deram inicio a isso tudo o que poderia lhes contar, falar que 50 anos se passaram e ainda apanhamos e morremos por ser quem somos, que em alguns países, ainda ser homossexual é passível de pena de morte.
Não acho que diria que evoluímos aqui neste país com muita luta, que temos o Nome Social para as pessoas trans que deve ser usado nas redes de educação, saúde, trabalho, mais que nem todos usam ou respeitam. Conquistamos em uma decisão incrível do STF o direito ao casamento, a oficializar nossas famílias homo afetivas, porém ainda é difícil a adoção ou o respeito a nossos filhos.

Avançamos com a conquista com a lei 10.948 que combate a discriminação por orientação sexual no Estado de São Paulo, da criminalização da LGBTfobia utilizando a lei contra o Racismo , até que o Estado por meio do legislativo cumpra seu papel é cria leis especificas para a segurança desta população.

Como nem tudo são flores, seria complicado explicar que ainda hoje, como aconteceu após a Revolução de Stonewall , em 1971 as questões de raça, a classe, a ideologia e o gênero, tornaram-se obstáculos frequentes, ao desenvolvimento das pautas do movimento e permanecera nos anos após os tumultos.

Assumir que hoje vivemos uma hierarquização dentro do movimento e pior que acrescentamos mais divisores que se somam a raça, a classe, a ideologia e o gênero, a a identidade de gênero, a orientação sexual , a deficiência, a origem e por ai vai e frustrante.

Mais especificamente, em relação às pessoas com deficiência, essas questões são potencializados, e são entraves a nossa participação em alguns movimentos, sempre tentando não ver, que somos pessoas e portanto, podemos ser homens ou mulheres , heterossexuais ou homossexuais – LGBTQAI+- machistas e feministas, negros ou não, enfim somos múltiplos

Lamentar que aqueles que deveriam agregar, acabam separando as letrinhas, LGBTQA+ , por manter uma conduta discriminatória ao não visibilizar corpos e falas que destoam do conjunto, seja por virem de lugares periféricos ou não , por não representar o “patrão aceito” do belo, por não ter a comunicação usual ou mesmo por não ter nível educacional .

Admitir tudo isso e dizer que todxs perdem, só quem ganha com esse comportamento são as forças conservadores se aproveitam disso para potencializar essas diferenças e o Estado que deveria cumprir a Constituição que diz que todxs são iguais perante a lei, que a educação, saúde segurança do cidadão e cidadão e dever dele, e se furta a este papel, deixando a sociedade civil se responsabilizar por buscar melhor condições.

Com certeza posso dizer a Sylvia e Marsha que seu legado de luta, de dignidade é as bases da Bandeira, que tem as cores do arco íris e que mais uma vez será vista domingo na Paulista cobrindo a todxs LGBTQAI+ e provando que a Parada é fervo, fervo é luta e neste momento luta é vida! Obrigada Sylvia e Marsha e por vocês que aqui estamos e seguimos.

Silvana Gimenes

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(en español)


Título: Si me encontrara con Sylvia Rivera y Marsha P. Johnson diría...
Junio es un mes de las fiestas juninas, mes de saludar a San Antonio y conmemorar el día de los enamorados, pedirle un buen casamiento a San Juan y cerrar con las llaves de San Pedro tanto festejo.
Pero también es el mes del Orgullo LGBT donde en el día 28 de junio, entre San Juan y San Pedro se conmemora el orgullo de ser Gay, también es en el feriado de Corpus Christis en la Ciudad de San Pablo que tenemos el mayor desfile LGBT del Mundo, que este año conmemora los 50 años de la Revolución de Stonewall. Sí, me gusta decir Revolución, porque esencialmente para aquellas personas fue un acto de revuelta sumado a la decisión de cambiar la realidad existente.
Me quedo preguntándome si me pudiera encontrar con Sylvia Rivera y Marsha P. Johnson, las dos mujeres trans, de orígenes latina y negra, que dieron inicio a todo esto, lo que les podría contar, hablar de que pasaron 50 años y todavía aguantamos y morimos por ser quienes somos, que en algunos países ser homosexual todavía es castigado con pena de muerte.
No creo que diría que evolucionamos acá en este país com mucha lucha, que tenemos el Nombre Social para las personas trans que debe ser usado en las redes, educación, salud, trabajo, pero que no todos lo usan o lo respetan. Conquistamos con una decisión increíble del STF el derecho al casamiento, a oficializar nuestras familias homoafectivas, aunque todavía es difícil la adopción o el respeto hacia nuestros hijos.
Avanzamos en la conquista con la ley 10.948 que combate la discriminación por orientación sexual en el Estado de San Pablo, de la criminalización de la LGBTfobia, usando la ley contra el Racismo, hasta que el Estado a través del legislativo cumpla su papel y cree leyes específicas para asegurar a esta población.
Como no todo son flores, sería complicado explicar que aún hoy, como sucedió después de la Revolución de Stonewall, en 1971 las cuestiones de raza, la clase, la ideología y el género se volvieron obstáculos frecuentes al desenvolvimiento de las pautas del movimiento y permanecerá así en los años posteriores a los tumultos.
Asumir que hoy vivimos una jerarquización dentro del movimiento, y peor, que agregamos más divisiones que se suman a la raza, la clase, la ideología y el género, a la identidad de de género, la orientación sexual, la discapacidad, el origen y así, es frustrante.
Más específicamente, en relación a las personas con discapacidad, estas cuestiones son potenciadas, y sólo dificultan nuestra participación en algunos movimientos, siempre intentando no ver que somos personas, y por lo tanto, podemos ser hombres o mujeres, heterosexuales u homosexuales – LGBTQAI+- machistas y feministas, negros o no, en fin, somos múltiples.
Lamentar que aquellos que deberían agregar, terminan separando las letritas, LGBTQA+, por mantener una conducta discriminatoria al no visibilizar cuerpos y diálogos que desentonan con el conjunto, sea por venir de lugares periféricos o no, por no representar el "patrón aceptado" de la belleza, por no tener la comunicación usual o incluso por no tener nivel educativo.
Admitir todo eso y decir que todxs pierden, los únicos que ganan con este comportamiento son las fuerzas conservadoras que se aprovechan de eso para aumentar estas diferencias y el Estado que debería cumplir la Constitución que dice que todxs son iguales ante la ley, que la educación, salud y seguridad del ciudadano es deber de él y se aleja de este papel, dejando que la sociedad civil se responsabilice por buscar mejores condiciones.

Con certeza le puedo decir a Sylvia y a Marsha que su legado de lucha, de dignidad es la base de la Bandera, que tiene los colores del arcoíris y que otra vez más será vista el domingo en la Paulista cubriendo a todxs LGBTQAI+ y probando que el Desfile es fervor, fervor es lucha y en este momento la lucha es vida! Gracias Sylvia y Marsha y por ustedes acá estamos y seguimos.

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