O que é deficiência? por Carol Constantino

by - junho 11, 2019

Arte cedida por Partes

(Texto em português)
Você já ficou imaginando como seria sua vida se não tivesse uma deficiência? Já desejou "ser normal" só para não precisar enfrentar tantas calçadas sem rampas, tantos ônibus com elevadores estragados, tantos lugares sem acesso e tanta pergunta invasiva sobre você?

Pois é, passei muitos anos pensando assim e quando comentava algo que me incomodava com um amigo, ou familiar, eles simplesmente diziam que eu estava exagerando e não entendiam o que eu estava passando.

Foi então que comecei a não falar sobre meus sentimentos com ninguém, apenas escutava os outros, e guardava para mim as coisas que me incomodavam. Acabei me tornando uma pessoa vazia e ao mesmo tempo cheia de frustrações.

Mas, o tempo passou e percebi que isso não estava funcionando, precisava achar pessoas que passavam pelo mesmo que eu. Foi então que "aceitei" a minha condição como mulher com deficiência e me permiti ter contato com outras pessoas com deficiência.
Decidi conhecer uma associação de cadeirantes (a LEME) e foi lá que comecei a perceber que eu não era a única que me sentia aborrecida com tudo que acontecia, quando comentava algo que me chateava, eles realmente me entendiam pois também passavam pelas mesmas situações humilhantes que eu.

No entanto, depois de conhecer tantas realidades de vida, passei a notar que todos tinham muitas experiências em comum: Todos enfrentavam dificuldades para estudar, reclamavam das calçadas esburacadas, reclamavam da falta de acesso em estabelecimentos e todos reclamavam do descaso e preconceito que sofriam.

Com isso, aquela angustia que me dominava deu lugar para uma único questionamento: É o meu impedimento (de caminhar) que constrói "os degraus" que não consigo subir, ou é a sociedade? Você já deve saber a resposta...
Alguns dias atrás assisti uma palestra onde uma professora falava exatamente sobre isso e, para minha surpresa, descobri que essa "teoria" tem até nome: "Modelo Social da Deficiência".

Resumindo, o modelo social da deficiência considera que a DEFICIÊNCIA é a soma das barreiras + impedimentos (físico, ou aditivo, ou aditivo...). Ou seja, garanto que quando você está em casa nem lembra que não caminha, ou que não enxerga, etc... mas basta sair até a rua que já se depara com falta de acessibilidade e com o preconceito das pessoas.

Saber de tudo isso me "tirou 1 tonelada das costas". Ou melhor, tirei todo o peso e culpa que botava sobre a minha deficiência e comecei a tratá-la com mais carinho, afinal, ela faz parte de mim.


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(texto en español)

Qué significa la discapacidad?

Ya te imaginaste cómo sería tu vida si no tuvieras una discapacidad? Ya deseaste "ser normal" sólo para no necesitar enfrentar tantas veredas sin rampas, tantos ómnibus con elevadores que no funcionan, tantos lugares sin acceso y tanta pregunta invasiva sobre vos?

Claro, pasé muchos años pensando así y cuando comentaba algo que me incomodaba con un amigo, o familiar, ellos simplemente decían que yo estaba exagerando y no entendían por lo que estaba pasando.

Fue ahí que comencé a no hablar sobre mis sentimientos con nadie, apenas escuchaba a los demás. y me guardaba las cosas que me incomodaban. Terminé volviéndome una persona vacía y al mismo tiempo llena de frustraciones.

Pero el tiempo pasó y percibí que eso no estaba funcionando, necesitaba encontrar personas que pasaban por lo mismo que yo. Fue entonces que "acepté" mi condición como mujer con discapacidad y me permití tener contacto con otras personas con discapacidad.

Decidí conocer una asociación de usuarios de silla de ruedas (la LEME) y fue ahí que comencé a percibir que no era la única que me sentía enojada con todo lo que sucedía, cuando comentaba algo que me molestaba, ellos realmente me entendían porque también pasaban por las mismas situaciones humillantes que yo.

Sin embargo, después de conocer tantas realidades de vida, pasé a notar que todos tenían muchas experiencias en común: Todos enfrentaban dificultades para estudiar, reclamaban por las veredas rotas, reclamaban la falta de accesibilidad en los establecimientos y todos reclamaban la indiferencia y el preconcepto que sufrían.

Con eso, aquella angustia que me dominaba dio lugar para un único cuestionamiento: Es mi impedimento (de caminar) que construyó "los desniveles" que no logro subir, o es la sociedad? Ya debés saber la respuesta...

Hace algunos días fui a una charla en la que una profesora hablaba exactamente sobre eso y, para mi sorpresa, descubrí que esa "teoría" hasta tenía un nombre: "Modelo Social de la Discapacidad".

Resumiendo, el modelo social de la discapacidad considera que la DISCAPACIDAD es la suma de las barreras + impedimentos (físicos, o auditivos...). O sea, seguro que cuando estás en tu casa ni te acordás de que no caminás, o que no ves, etc... pero basta con salir a la calle y ya te encontrás con la falta de accesibilidad y con el preconcepto de las personas.


Conocer todo eso me "sacó 1 tonelada de encima". O mejor, me saqué todo el peso y la culpa que le tiraba a mi discapacidad y comencé a tratarla con más cariño, después de todo, ella es parte de mí.


Carol Constantino


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