A linha tênue entre ser dona de si e depender de alguém Por Ana Clara Moniz

by - junho 18, 2019

arte cedida por Partes
(texto em português)


O feminismo é uma luta feminina que surgiu com o objetivo de garantir a
equidade de direitos e condições das mulheres na sociedade em relação aos
homens. A militância existe, acima de tudo, com o intuito de levar a ideia de que
mulheres podem ser o que quiserem e fazer o que bem entenderem. Não se trata
de nenhuma mulher não poder casar ou ter filhos, para quebrar as barreiras da
sociedades. Não é sobre odiar os homens, querer ser maior e melhor que eles.
Principalmente, é a ideia de que toda mulher pode fazer o que ela quiser e não ser
parada pelo seu gênero. Cada mulher é dona de si mesma.
Com esse pensamento fortalecido, a sociedade cada vez mais têm levantado
que a mulher moderna não precisa depender de ninguém. A cada dia mais,
"empoderada", "segura", "independente", têm sido adjetivos usados para se
descreverem e mostrar o quanto a sociedade estava errada em todos os anos
anteriores que fizeram de tudo para provar o contrário. Mas ao pensar em mulheres,
pensamos em todas.




A militância feminista chegou para todas e mulheres com deficiência não
podem - mais uma vez - serem esquecidas. Os ensinamentos são passados do
mesmo jeito, mas absorvidos de maneira diferente por cada uma. Quando se tem
uma deficiência, a primeira palavra associada a você é "dependência". Você pode
depender de alguém para fazer as coisas mais simples do dia a dia. Você precisa
de alguém para ser seus olhos, pernas e até mesmo para te fazer ser entendida. A
dependência das pessoas com deficiência é superestimada na maioria das vezes:
por mais que você consiga fazer muita coisa sem ajuda, na maioria, vão continuar
achando que você não pode.




Ser mulher empoderada e feminista com deficiência infere que você pode
ser - e é - dona de si, mas como lidar com isso quando você depende de alguém 24
horas por dia? Existe uma linha tênue entre fazer o que bem entender da sua
própria vida e de si mesma e precisar de alguém para isso. Querer não significa
poder, nesse caso mais do que nunca. Você pode querer jogar tudo para o alto e
sair sem rumo, mas só se as ruas tiverem acesso para você andar. Você pode se
vestir como quiser, desde que alguém te vista. Você pode sair com quem quiser e a
hora que bem entender, desde que tenha alguém para te levar e que a pessoa
esteja apta para te ajudar quando precisar.

O dona de si existe, se colocar acima de suas dependências. Na rotina do dia
a dia chega a ser frustrante e às vezes pode parecer que você simplesmente não
escolhe tudo de si. Pode ser que você se sinta insegura e que tenha vontades que
não podem ser saciadas por você mesma. Precisar de ajuda, pouca ou muita,
frustra a capacidade de mandar na própria vida.
Então, você deve estar se perguntando, mulheres com deficiência não são
donas de si? SÃO! É aí que se encontra a maior questão tão complexa que até nós
mesmas nos confundimos. Mulheres com deficiência são empoderadas, feministas,
seguras, decididas e independentes dentro do possível.




Apesar de depender de alguém para realizar seus desejos e vontades, nada pode suprimir que mulheres com deficiência, acima de tudo, são donas de si mesmas. Pode ser que eu tenha que pedir ajuda 15 vezes em um dia, preciso que me vistam, que me tirem da
cadeira e abram as portas para mim. Mas eu sou capaz de decidir o que eu quero.
Eu preciso de ajuda, mas ninguém é capaz de decidir minha vida por mim. Eu posso
ter deficiência e ser dona de mim. A linha é tênue,mas não é a mesma e ninguém
pode fazer com que seja.



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(texto en español)
La línea tenue entre ser dueña de sí misma y depender de alguien


           El feminismo es una lucha femenina que surgió con el objetivo de garantizar la igualdad de derechos y condiciones de las mujeres en la sociedad en relación a los hombres. La militancia existe, sobre todo, con el fin de plantear la idea de que las mujeres pueden ser lo que quieran y hacer lo que entiendan bien. No se trata de que las mujeres no se puedan casar ni tener hijos para romper con las barreras de la sociedad. No es sobre odiar a los hombres, querer ser mayor o mejor que ellos. Principalmente, es la idea de que toda mujer puede hacer lo que ella quiera y no ser frenadas por su género.  Cada mujer es dueña de sí misma.


            Con ese pensamiento fortalecido, la sociedad plantea cada vez más que la mujer moderna no necesita depender de nadie. Cada día más, "empoderada", "segura", "independiente", son sido adjetivos usados para describirlas y mostrar cuán equivocada estaba la sociedad en todos los años anteriores que hicieron de todo para probar lo contrario. Pero al pensar en mujeres, pensamos en todas.  


          La militancia feminista llegó para todas y las mujeres con discapacidad no pueden ser otra vez olvidadas. Las experiencias se viven de la misma forma, pero son absorbidas de manera distinta por cada una. Cuando se tiene una discapacidad, la primera palabra con la que te asocian es "dependencia". Vos podes depender de alguien para hacer las cosas más simples del día a día. Vos necesitás de alguien para ser tus ojos, piernas e incluso para ser entendida. La dependencia de las personas con discapacidad es sobreestimada la mayoría de las veces: por más que puedas hacer muchas cosas sin ayuda, la mayoría, va a seguir pensando que no podés.


           Ser mujer empoderada y feminista con discapacidad significa que vos podés ser – y sos – dueña de vos misma, pero cómo lidiar con eso cuando dependés de alguien 24 horas por día? Existe una línea tenue entre hacer lo que te parezca bien de tu propia vida y de vos misma y necesitar de alguien para eso. Querer no significa poder, en este caso, más que nunca. Vos podés querer tirar todo y salir sin rumbo, pero sólo si las calles tuvieran acceso
para vos andar. Te podés vestir como quieras, si alguien te viste, podés salir con quien quieras y a la hora que quieras si tenés a alguien para que te lleve y que la persona sepa cómo ayudarte cuando necesites.


           El "dueña de sí" existe, si se coloca por sobre las dependencias. En la rutina del día a día llega a ser frustrante y a veces puede parecer que simplemente no elegís todo. Puede ser que te sientas insegura y que tengas deseos que no puedas saciar por vos misma. Necesitar ayuda, poca o mucha, frustra la capacidad de mandar en la vida propia.


Entonces, deben estarse preguntando, las mujeres con discapacidad no son dueñas de sí mismas? SON! Ahí es que se encuentra la mayor cuestión, tan compleja que hasta nosotras mismas nos confundimos. Las mujeres con discapacidad son empoderadas, feministas, seguras, decididas e independientes dentro de lo posible. A pesar de depender de alguien para cumplir sus deseos y anhelos, nada puede evitar que las mujeres con discapacidad, por sobre todo, sean dueñas de sí mismas. Puede ser que yo tenga que pedir ayuda 15 veces en un día, necesite que me vistan, que me saquen de la silla y abran las puertas para mí. Pero sólo yo soy capaz de decidir lo que quiero. Necesito ayuda, pero nadie puede decidir mi vida por mí. Puedo tener una discapacidad y ser dueña de mí. La línea es tenue, pero no es la misma y nadie puede hacer que lo sea.



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1 comentários

  1. Caramba!!! Que Texto!!! Que grande e incrível amostra de resistência!!! Parabéns Ana Clara!!!! Esplêndido é pouco...

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