A guerra dos Canudos Por Sarah Santos

by - junho 14, 2019


(texto em português)

A vibe sustentável de diminuição do lixo produzido pela população é agradável para o meio ambiente, mas pode prejudicar a acessibilidade de pessoas com deficiência Por essa, você não esperava. Há um debate acontecendo no mundo todo, que culminou das redes sociais, para a proibição do uso dos canudos de plástico. Essa discussão já teve impacto no Brasil e as grandes capitais como Rio de Janeiro e São Paulo acenam para a medida de extinguir o utensílio de centros comerciais.

Enquanto muitos aplaudem a iniciativa e observam como um pontapé para a redução do consumo de plástico, pessoas com deficiência revelam que a medida pode ter sérias consequências para elas. Não, não se trata do chamado “mimimi” ou alguma exigência sem sentido por parte do movimento social, esta é uma necessidade real e que comprova, mais uma vez, que pessoas com deficiência não são incluídas nem mesmo nos debates que lhe tiram a pouca acessibilidade conquistada com anos de luta. Para muitos, os famosos canudos de plástico são um luxo ou uma alternativa para facilitar o consumo de bebidas, principalmente em locais públicos como lanchonetes e restaurantes. No entanto, para pessoas com mobilidade reduzida, são uma ferramenta fundamental e historicamente utilizada para promover independência ao menos para beber um copo de água, suco ou refrigerante.
Uma das primeiras empresas a comercializar canudos de plástico, Flex Straw, tinha como público alvo pessoas hospitalizadas, com mobilidade reduzida ou que possuíam alguma deficiência. Naquela época, século XX, o utensílio não era do costume de pessoas sem deficiência e, com o passar dos anos, popularizou-se e foi adotado por restaurantes e lanchonetes, até se tornar ítem indispensável. Ao implantar a discussão, muitas pessoas desconhecedoras da realidade de um indivíduo com deficiência propõem, como se fossem simples alternativas, outros materiais menos agressivos ao meio ambiente que, no entanto, continuam sendo de difícil adaptação para seres com determinadas deficiências. Por este motivo, uma comunidade de pessoas com deficiência dos Estados Unidos fez um comparativo dos ‘contras’ de cada uma dessas opções: Metal: pode machucar, não é posicionável, caro para o consumidor. Bambu: pode machucar, não é posicionável, caro para o consumidor. Vidro: pode machucar, não é posicionável, caro para o consumidor. Silicone: não é posicionável, caro para o consumidor. Acrílico: pode machucar, não é posicionável, caro para o consumidor, não dá pra usar com líquidos quentes. Papel: pode engasgar, não é posicionável, não dá pra usar com líquidos quentes. De macarrão: pode engasgar, pode machucar, não dá pra usar com líquidos quentes. É importante salientar que pessoas com deficiência também se preocupam com o meio ambiente, mas não abrem mão de sua acessibilidade, qualidade de vida e saúde. Em muitos casos, os canudos de plástico não são utilizados apenas para beber determinadas bebidas, como para pessoas sem deficiência que podem optar livremente por usar ou não canudos.
Mas, são fundamentais para tomar remédios e se alimentar. Portanto, ver a sociedade tão determinada a extinguir os canudos de vez e ignorar a população que fez a necessidade dos canudos existirem primordialmente, mostra a exclusão evidente da qual pessoas com deficiência tanto falam. Também, é fundamental ressaltar que militar contra canudos de plástico e não agir para reduzir o resto do lixo produzido durante o dia gera impactos medíocres no meio ambiente e desacredita todo o movimento em prol da sustentabilidade. A discussão precisa ser maior que isto. Dentre as diversas possibilidades de soluções, pode-se apostar nos investimentos em pesquisa e ciência para a criação de outras alternativas e também, reduzir o uso dos canudos para este grupo de pessoas que não utiliza por opção, mas realmente necessita da ferramenta para ter o mínimo de independência e conforto. Neste meio tempo, pessoas com deficiência ficam à mercê de indivíduos que estampam as suas redes sociais e discursos moralistas pró ambiente enquanto, mais uma vez, excluem as pessoas com deficiência e de marcas que, nunca mostraram se importar com a inclusão dessas pessoas e com esta ação, deram mais um passo para trás. Está difícil ser pessoa com deficiência neste mundo.

Sarah Santos


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(texto en español)


La Guerra de las Pajitas


La onda sustentable de disminución de residuos producidos por la población es agradable para el medio ambiente, pero puede perjudicar la accesibilidad de las personas con discapacidad.



     Capaz no te lo esperabas. Hay un debate sucediendo en todo el mundo, que culminó en las redes sociales, para la prohibición del uso de las pajitas de plástico. Esa discusión ya tuvo su impacto en Brasil y las grandes capitales como Río de Janeiro y San Pablo apuntan hacia la medida de extinguir el utensillo en los centros comerciales. Mientras muchos aplauden la iniciativa y la ven como un puntapié hacia la reducción del consumo de plástico, las personas con discapacidad manifiestan que la medida puede tener serias consecuencias para ellas.
   
  No, no se trata de un capricho o alguna exigencia sin sentido por parte del movimiento social, esta es una necesidad real y que comprueba, nuevamente, que las personas con discapacidad ni siquiera son incluídas en los debates que les sacan la poca accesibilidad conquistada con años de lucha. Para muchos, las famosas pajitas de plástico son un lujo o una alternativa para facilitar el consumo de bebidas, principalmente en locales públicos como comedores y restaurantes. Mientras tanto, para las personas con movilidad reducida, son una herramienta fundamental e históricamente utilizada para promover la independencia al menos para beber un vaso de agua, jugo o refresco.
     Una de las primeras empresas en comercializar pajitas de plástico, Flex Straw, tenía como público principal a las personas hospitalizadas, con movilidad reducida o que tenían alguna discapacidad. En aquella época, siglo XX, el utensillo no se usaba por personas sin discapacidad y, con el pasar de los años, se popularizó y fue adoptado por los restaurantes y comedores, hasta volverse un objeto indispensable.
   
  Al introducir la discusión, muchas personas desconocedoras de la realidad de un individuo con discapacidad proponen, como si fueran alternativas, otros materiales menos agresivos con el medio ambiente que, sin embargo, siguen siendo de difícil adaptación para seres con determinadas discapacidades. Por este motivo, una comunidad de personas con discapacidad de Estados Unidos hizo una comparación de los "contras" de cada una de esas opciones:

Metal: puede dañar, no es flexible, caro para el consumidor.
Bambú: puede dañar, no es flexible, caro para el consumidor.
Vidrio: puede dañar, no es flexible, caro para el consumidor.
Silicona: no es flexible, caro para el consumidor.
Acrílico: puede dañar, no es flexible, caro para el consumidor, no sirve para usar con líquidos calientes.
Papel: puede atragantar, no es flexible, no sirve para usar con líquidos calientes.
De fideo: puede atragantar, puede dañar, no sirve para usar con líquidos calientes.

     Es importante destacar que las personas con discapacidad también se preocupan por el medio ambiente, pero no a costa de su accesibilidad, calidad de vida y salud. En muchos casos, las pajitas de plástico no son usadas sólo para beber determinadas bebidas, como lo hacen las personas sin discapacidad que pueden optar libremente por usar o no pajitas, sino que son fundamentales para tomar remedios y alimentarse. Por lo tanto, ver a la sociedad tan determinada a eliminar a las pajitas e ignorar a la población cuya necesidad hizo que las pajitas comenzaran a existir, muestra la exclusión evidente de la que las personas con discapacidad tanto hablan.
     
También es fundamental resaltar que militar contra las pajitas de plástico y no tomar medidas para reducir el resto de los residuos producidos durante el día genera impactos escasos en el medio ambiente y desacredita todo el movimiento en pos de la sustentabilidad. La discusión necesita ser más grande que esto.
     
Entre las diversas posibilidades de soluciones, se puede apostar a las inversiones en investigación y ciencia para la creación de otras alternativas y también, reducir el uso de las pajitas para este grupo de personas que no las usa por opción, pero realmente necesita la herramienta para tener el mínimo de independencia y confort.
     
Mientras tanto, las personas con discapacidad quedan a merced de individuos que adornan sus redes sociales y discursos moralistas pro ambiente mientras, otra vez, excluyen a las personas con discapacidad, y de empresas que, nunca mostraron que les importara la inclusión de esas personas, y con esta acción, dieron otro paso hacia atrás. Está difícil ser una persona con discapacidad en este mundo.


Sarah Santos


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